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Como usar a cozinha para se amar mais

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3 estratégias para cozinhar mais e nutrir seu amor próprio

Quando eu era criança, para mim, amor era, no jantar, mamãe servir o arroz e feijão requentado do almoço com um lindo ovo frito por cima. Ovo frito era uma das coisas favoritas do meu pai, e acho que puxei isso dele. Isso, e o fato de ele demonstrar amor fazendo questão de vir todos os dias do trabalho para almoçar com a família à mesa, junto com o fato de que minha mãe cozinhava comida fresca e cheia de capricho.

Amor também era o bife à parmegiana, era o bolo de chocolate, era a moqueca sagrada dos sábados com pirão (capixaba, óbvio!). Mas hoje, quando quero buscar aquele sentimento de estar cercada do amor da minha família, eu busco o arroz, feijão e ovo frito.

Nunca ninguém parou para me ensinar a cozinhar, e eu era chata para caramba para comer quando criança. Hoje, é uma surpresa para todo mundo da minha família o fato de que como de tudo, de forma saudável, e que cozinho todos os dias.

Eu aprendi a cozinhar vendo programas brasileiros de TV das “tias”, enquanto aguardava as aulas da universidade começarem. Levou alguns anos para eu superar o paladar que me fazia buscar apenas “comida bege” industrializada, e pensar que cozinhar não era apenas o ato de abrir pacotes para calar a fome.

Quando comecei a trabalhar, aconteceu um clique: meu gosto se sofisticou vendo os programas de culinários gringos da TV à cabo, ao mesmo tempo que, com a vida cada vez mais estressante, eu precisava criar estratégias para não pirar com as longas horas de trabalho. Minha mãe ficava espantada que eu chegava da pós quase 11 da noite, e ainda ia para cozinha.

Não era que não tinha comida em casa, ou que eu não pudesse resolver a fome na lanchonete da esquina, porque ela não era apenas física.

A fome era de cuidado, de carinho, de amor. Eu precisava sentir que, depois de passar o dia inteiro fazendo obrigações e coisas para os outros, eu podia contar com aquele momento de estar comigo mesma, e preparar algo que era exatamente o que eu queria comer, feito exclusivamente para mim.

Cozinhar é um presente que a gente pode ser dar depois de um dia cheio de fazer coisas para os outros.

Cozinhar é um presente que a gente pode ser dar depois de um dia cheio de fazer coisas para os outros.

Eu amo me presentear indo a restaurantes, e há dias que não tenho paciência nem inspiração para ir pra cozinha, mas quando me lembro que, de alguma forma, ir para a cozinha, especialmente quando vou cozinhar algo só pra mim, com os ingredientes que escolhi com todo carinho e cuidado, eu estou me amando um pouquinho mais, percebo que o ato de cozinhar vai muito além do que normalmente pensamos.

Por isso, convido você a deixar de lado, apenas por uns instante, as histórias de que “eu não tenho jeito para cozinha”, “eu não tenho tempo para cozinhar”, “não gosto de cozinhar para uma pessoa só”, “cozinhar comida saudável é difícil e sem graça”, e testar algumas estratégias simples:

  1. Comece com seu prato ou quitute favorito. Se você não sabe nada de cozinha, ou se você tem preguiça, comece por algo que você sabe que vai fazer você feliz com o resultado. Peça ajuda e orientação, faça disso um evento especial. Mesmo se o resultado não ficar bom no final, concentre-se na experiência. Se você já cozinha, teste uma nova versão, talvez com ingredientes em versões mais nutritivas.
  2. Reúna um repertório de receitas fáceis, simples, com muito sabor, e rápidas para você ter na manga, tanto para quem quer começar a cozinhar, pois tem mais chance de dar certo logo de primeira, quanto para quem tem preguiça, pois existem receitas que ficam prontas mais rápido que a entrega da pizza. E vamos combinar, tem muito mais amor no macarrãozinho com vegetais que você fez em 15 minutos, do que na pizza que chega meio fria e borrachuda feita na correria. Para quem já cozinha, o truque é usar essas receitas para os dias mais corridos, e estar sempre abastecida de ingredientes-chave que ajudam nessas situações.
  3. Comece de qualquer lugar, sempre usando alguns ingredientes que não vem prontos em um pacote. Ter a casa abastecida de vegetais e frutas frescos, grãos e feijões, castanhas e sementes, entre outros produtos in natura é uma das maiores expressões de amor que você pode ser dar. Comer mais das comidas que nosso corpo foi desenhado para usar como combustível, não apenas deixa mais espaço para nossa criatividade, como também vai fazer seu corpo ficar muito mais saudável e feliz. Nem que seja um arroz integral simples com um feijãozinho básico, com um ovo frito orgânico por cima (ah, hoje em dia tem sempre uma couve refogada junto no meu prato).
Publicado em: Cozinha Consciente

Imagens: Cozinha Consciente/assets.kitchendaily.com

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