Ciclo Menstrual

3 segredos para ter uma vida plena

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Coragem, vulnerabilidade e fome: as lições de vida de Frida Kahlo

Frida Kahlo era simplesmente uma pessoa de quem ouvi falar na aula de artes na universidade. E aí que eu a conheci mais de perto e ela tirou meu coração do peito e deixou minha mente de pernas pro ar. Fui em uma exposição com algumas de suas obras. Minha amiga que me acompanhava me contou algumas passagens da vida dela. E resolvi assistir o filme que já estava lá na minha lista de streaming fazia tempo. E comecei a conversar com um amigo sobre ela.

É comum eu ir em alguma exibição de arte, assistir um filme e ter conversas que me instigam e inspiram muitos questionamentos, e por dias eu ficar incomodada com aquilo. Mas dessa vez foi diferente. Vieram respostas.

O que mais me tocou nisso tudo foram três coisas:

a coragem de fazer sua voz ser ouvida, a vulnerabilidade de acessar e mostrar as emoções mais profundas, e a fome de viver.

A primeira, a coragem, que muitas de nós pensamos que não temos. Eu fui criada para aproveitar as oportunidades, para ser uma pessoa independente, para viver sem estar presa pelas limitações das gerações anteriores. E mesmo assim, volta e meia eu percebo amarras que me impedem de seguir a diante. Na vida profissional, familiar, romântica, intelectual, e por aí vai.

A coragem surge aí. Primeiro de reconhecer que a limitação não está sendo benéfica para nós, deliberadamente escolher ultrapassar esses limites internos e externo, e não parar de tentar até conseguir ir para o próximo nível do jogo. A coragem surge justamente quando escolhemos encarar os muitos medos que surgem quando ousamos questionar os padrões sociais e de crenças pré-estabelecidos. Porque a resistência vem com tudo para tentar impedir que a gente passe para o outro lado do muro.

E quando estamos no outro lado, a coragem é a de bancar esse novo espaço em que nos encontramos na vida. Daí a coragem da Frida, de fazer essa sua voz ser ouvida a partir de um ponto em que nem todo mundo vai compreender, aceitar e respeitar. Vamos combinar que ela é estranha. Suas obras são estranhas. Suas escolhas de vida são estranhas. Para muitas de nós, ela é incompreensível. E ela, mesmo assim, mesmo com seus limites (físicos e emocionais), bancou expressar sua voz autêntica até o final da vida.

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A segunda, a vulnerabilidade, que não existe sem a coragem. A verdadeira vulnerabilidade é justamente a coragem de se mostrar por inteiro já sabendo que muita gente não te compreende, não te aceita, não te respeita. Brenè Brown fala brilhantemente sobre o assunto em seus TED talks, palestras, livros e entrevistas. Quando me sinto mais vulnerável é quando percebo que perdi o controle das minhas emoções e estou mostrando um lado meu, uma característica minha, um comportamento que penso que serei julgada, trucidada, criticada até cair no chão chorando e posição fetal.

Somos treinadas o tempo inteiro para acreditar que esse é um sinal claro de fraqueza e de falta de capacidade de funcionar no mundo. E Frida quebra esse estereótipo, rasgando seu coração e escancarando sua alma em suas obras e em suas interações. Poucas vezes estive na presença de uma força tão poderosa sem que a pessoa não estivesse presente no local. Suas obras respiram isso. O fato de ter um corpo quebrado e frágil, que provocava dor sem descanso, só a instigava mais a cultivar sua vulnerabilidade, de ter sempre na manga as suas emoções mais profundas.

Ok, não precisamos necessariamente virar barraqueiras e sair quebrando tudo como ela muitas fez, ou virar uma pintora mundialmente famosa, para expressar nossas emoções de forma autêntica. Se é isso que funciona para você, sou a primeira a te encorajar. Há também muitas formas que podemos fazer isso sem nos expor tanto ou desnecessariamente, e aos poucos, de forma gentil conosco mesma, e continuar a funcionar socialmente sem ficar causando (o que também você pode fazer sem problema nenhum se quiser).

É só começar expressando-nos para nós mesmas no conforto particular, começando por não julgar nossos pensamentos e emoções.

Quando eles vierem, observe-os. Veja o que acabou de acontecer que os desencadeou. Isso é uma pista importantíssima para nos sentirmos no controle da situação. Saber o que aperta nossos botões. Daí começamos a saber o que vem pela frente quando aquele tipo de situação e circunstância aparecer novamente. E conhecer profundamente do que somos capazes. O melhor e o pior. E a força da vulnerabilidade é justamente começar a bancar isso, considerar a validade do que pensamos e sentimos. E saber que não somos esses pensamentos e sentimentos.

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Daí vem a terceira, a fome de viver. Esse apetite de saber que a vida pode oferecer sempre muito mais do que está servido à mesa, esse desejo insaciável de ir além do que se mostra possível e visível, essa curiosidade quase pueril de se empolgar com a próxima guloseima que será apresentada à nossa frente.

E que apetite pela vida que Frida tinha! E devorava tudo que estava pela frente, e pedia por mais. Logo quando jovem, sofreu um acidente gravíssimo que a deixou um longo tempo totalmente imobilizada, e foi justamente quando ela começou a colocar o fabuloso mundo rico e fantástico dentro de si para fora em forma de obras de arte. Quando a vida lhe tirou, ela foi com ainda mais voracidade buscar mais da vida. E isso aconteceu ainda muitas vezes, seu corpo e problemas de saúde servi-lhe bebidas amargas forçadas goela abaixo.

Um acontecimento antológico de sua vida foi quando, já mais velha, finalmente pode fazer sua primeira exposição em seu país natal. Ela foi proibida pelo médico de comparecer porque não poderia sair da cama sem correr o risco de causar ainda mais danos ao seu corpo desmantelado. Ela foi, carregada na própria cama, mobilizando tudo e todos à sua volta para poder realizar o seu sonho.

Talvez exista gente que tenha um sonho muito claro como o dela. Talvez exista gente que não tenha. Talvez exista gente sinta essa fome pela vida hoje. Talvez exista gente que já tenha sentido em algum momento, mas perdeu esse apetite agora. Talvez exista gente nunca tenha experimentado essa fome. Não importa onde estamos neste exato momento.

Elizabeth Gilbert tem falado bastante sobre essa ditadura da paixão. Todo mundo tem dito que precisamos descobrir e ter uma paixão muito clara por alguma coisa na vida. E que uma vez que identificamos isso, tudo se descortina lindamente. E daí, que na vida real, com tudo caindo na nossa cabeça não é bem assim que acontece. Ela fala de uma forma mais gentil de alimentar essa fome de vida, por menorzinha que ela pareça, que é seguir onde a nossa curiosidade nos leva.

É essa curiosidade que nos leva para fora das nossas preocupações, da nossa depressão, da nossa sensação de impotência ou de assoberbamento. Porque ela nos coloca em contato com o chamado da nossa alma, onde reside nossa fome de vida.

E quando acessamos, nem que seja por um instantinho essa nossa essência, ganhamos fôlego para continuar, pelo menos mais um pouquinho, na jornada da vida. É só isso que precisamos muitas vezes. Dar o próximo passo. Apenas mais uma respiração.

E, ao meu ver, essa é uma vida plena. É assim que exergo a vida de Frida. Ela simplesmente ia em busca da sua próxima inspiração. E expiração.

Imagens: ytimg.com/tumblr.com/mexicolore.co.uk

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Aqui temos 1 comentário. Adicionar.

  1. Marcia

    Melissa querida!!! Texto cheio de emoção, vida, pulsando, caliente!!! A la Frida!!! De todas nós!!! Gratidão!

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