Foto de Peta Bee.

4 razões porque academia não faz parte de um estilo de vida saudável

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Antes de mais nada, vou abrir o jogo: eu sempre fui a menina nerd que ia bem em todas as matérias da escola e era um fracasso nas aulas de educação física. Eu sinceramente achava de esportes e exercícios eram um ataque direto da sociedade contra mim e minha incompetência de saber usar meu corpo para algo além de carregar meu cérebro por aí. Até por ter tido a vida inteira um corpo muito magrinho, considerado frágil e incapaz de atividades que exijam força e destreza, isso somente reforçou que eu só poderia confiar nas minhas habilidades mentais, e que meu corpo tinha alguma coisa errada.

Existe um discurso vigente, repetido à exaustão, que até eu mesma costumava falar, que todo mundo toma como verdade absoluta e inquestionável: a receita para se ter mais saúde e/ou perder peso é comer menos e se exercitar mais. Desta premissa nasceu a indústria das dietas e das academias, que continua se alimentando da frustração alheia sobre a própria imagem. Em um post passado eu falei de como as dietas são um círculo vicioso fadado ao fracasso, que apenas alimenta a falta de autoestima. E agora quero chamar a atenção sobre a como institucionalização da atividade física também mina nossa autoconfiança e deturpa nosso senso de valor próprio.

Eu nunca frequentei academia, e levei muito tempo para entender que movimentar meu corpo frequentemente é parte fundamental da minha saúde, inclusive mental. E é muito comum as clientes e leitoras vir até mim dizendo que precisam “tomar jeito” e começar a ir pra academia ou contratar um personal trainner. Nesse ponto, quero esclarecer que não sou nada contra as pessoas e os lugares que se dedicam a apoiar as pessoas a cuidarem do próprio corpo e da saúde, muito pelo contrário.

O que quero chamar atenção aqui é para a cultura criada a partir da obrigação do corpo perfeito.

O que chega aos meus ouvidos diariamente são frases como:

“Me sinto mal na academia. Todo mundo tem um corpo magro e sarado, menos eu”, o que me faz pensar que ao invés de nos inspirar a desenvolver saúde e autoestima, mina ainda mais nosso senso de valor próprio, pois as pessoas que são elogiadas são as com corpos esculpidos e definidos. É muito comum as pessoas que “não estão em forma” serem ignoradas ou sofrerem bullying até dos próprios instrutores. Não é à toa que a maioria que se matricula não fica mais que 3 meses malhando, e acham que o problemas é com elas. E vamos lembrar que é no ambiente de academia que mais vemos o incentivo do uso de “fórmulas mágicas” para ter mais músculos ou perder gordura, que bem sabemos serem extremamente perigosos para a saúde.

“Meu problema é que gosto de comer”, e encaramos isso como um defeito de caráter, enquanto, a verdade é que isso é uma programação de sobrevivência! Eu fico para morrer quando ouço sobre as dietas de 12 claras e um frango por dia, e vejo os potes de whey protein e outros suplementos altamente processados e artificiais, que no final das contas deixa nosso corpo desnutrido e altamente intoxicado, e que, vejam só, vai justamente ligar a programação do ganho de peso do nosso organismo!

“Meu problema é que não tenho disciplina”, pois temos a ilusão que as pessoas que tem o corpão que desejamos são altamente disciplinadas que tem uma vida perfeita sem problemas. Muitas vezes, ir para a academia todo dia e comer de forma regrada pode trazer muitos problemas, não apenas de ordem física, mas principalmente mental. É extremamente comum encontrar malhadores frequentes que beiram ou que tem de fato distúrbios alimentares ou de comportamento, como anorexia e bulimia, vigorexia (pessoas que são viciadas em malhação), e dismorfofobia (preocupação obsessiva com algum defeito inexistente ou mínimo na aparência física), que tornam a vida da pessoa basicamente um inferno por se tornarem obcecadas com a própria aparência.

“A academia parece uma balada”, o que exacerba a objetificação do corpo, principalmente das mulheres, exponencia a ideia de que somente com um corpo de gostosa vamos ser atraentes, e que somente atraindo sexualmente as pessoas teremos valor. Acho que existem poucos lugares tão machistas quanto uma academia, e não é a toa que surgiram na última década muitos locais dedicados exclusivamente para mulheres que querem fugir desses ambientes que incentivam o assédio e a competição por atenção.

Minha intenção com esse artigo é nos inspirar a começar a parar de apenas seguir o que os outros dizem que é a forma certa de se fazer as coisas, e explorar a nossa verdade a partir da reflexão de como o que praticamos ou os conselhos que recebemos nos fazem nos sentir.

Eu acredito que hábitos saudáveis são os que nos fazem nos sentirmos bem nosso próprio corpo e mente, que nos incentivam a cultivar nosso melhor, e que não precisam ser um esforço e um sofrimento.

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