Ciclo Menstrual

5 confusões comuns sobre propósito de vida

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Como sua saúde impacta seu propósito de vida e vice versa

Sabe aqueles momentos mais depressivos, em que não conseguimos nos sentir nem alegres nem tristes, só empurramos a vida com a barriga? Sabemos que precisamos fazer alguma coisa a respeito, que podemos ter mais da vida, mas não conseguimos nos mover? Ou o exato oposto: nos embolamos em uma vida tão agitada, ocupada, cheia de estímulos externos, que colocamos nossa vida no piloto automático de riscar itens de uma lista interminável de coisas para fazer, que não conseguimos parar, mesmo sabendo que não estamos indo na direção de algo que realmente faça sentido para nossa vida?

Tanta gente tem se sentido assim, ultimamente, que penso ser a razão de andar muito em voga buscar nosso propósito de vida. Se você ainda não sabe dessa moda, nada mais é do que passar a usar mais do nosso tempo fazendo aquela coisa que nos energiza, que é nossa paixão na vida, que nos faz felizes. Ok, muito lindo tudo isso. Mas e aí, e se não temos o luxo da escolha de seguir esse propósito? E se não sabemos como fazer isso acontecer? Ou ainda mais complicado, não sabemos nem que paixão é essa? E o que tudo isso tem a ver como me sinto e com a minha saúde?

Eu, particularmente, me sinto massacrada por essas perguntas. Já recebi todo tipo de orientação, já fiz muitos cursos sobre o assunto, já escarafunchei os cantos da minha alma nessa busca. Quando eu trabalhava com Comunicação Corporativa, eu me sentia conectada com meu propósito (mesmo nunca tendo ouvido falar nesse conceito), e isso não foi impedimento para minha insatisfação, meus problemas de saúde, e continuar me questionando sobre a validade do que eu estava fazendo na vida.

Por isso, quis desmistificar algumas coisas que nos falam ou que pensamos sobre essa história de encontrar seu propósito de vida e segui-lo como receita de felicidade garantida.


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1) Primeiro preciso ter tempo e dinheiro de sobra, para depois ir atrás desse tal de Propósito.
Afinal de contas, essa coisa toda é para quem tem o luxo do tempo e do dinheiro, e vive uma vida ganha. Não, não é nada disso. Primeiro que ninguém tem a vida ganha (até quem tem todo tempo e todo o dinheiro do mundo), segundo que essa noção de que temos parar a nossa vida para descobrir o que é importante para gente é uma ilusão que só nos atrasa nessa jornada. É justamente porque a vida não está nada nos eixos que essa busca se torna essencial. Quando nos dedicamos a investigar nosso propósito (seja de que forma for: por conta própria, fazendo curso, contratando coach, etc etc) é que vamos encontrando pistas e respostas para os dilemas e angústias que estamos vivendo exatamente agora. É a caminhada que vai nos proporcionar novos pontos de vista e nos conectar conosco mesma que vai nos fortalecer para lidar com as circunstâncias da vida. Essa fome de sentido existe muito antes da invenção do tempo e do dinheiro.

Todo mundo nessa existência veio programado para buscar incessantemente aquilo que nos dá brilho no olho, que faz nosso coração sorrir, que faz nossa alma cantar.

2) Propósito só tem a ver com carreira e trabalho.
Volta e meia, eu ainda caio nessa. Como para mim isso sempre foi uma coisa óbvia, eu busquei durante minha carreira trabalhos que tinham total relação com a minhas paixões e aptidões, eu nunca havia pensado que o propósito é de VIDA, não de carreira. Ou seja, são coisas que a gente faz para dar sentido para a nossa vida, independente de gerar renda, de servir às pessoas, de ter uma utilidade para o mundo. Propósito é algo que nos leva a mais pura expressão da nossa alma, e pouco tem a ver com esse mundo material. Claro que podemos usá-lo para tudo que falei acima, mas temos que manter em mente que para vivê-lo e nos sentirmos plenas por causa disso, não precisamos obrigatoriamente associá-lo a um trabalho ou a toda uma carreira. Inclusive, nem precisamos mudar ou largar de emprego para realizar nosso propósito. Podemos fazer isso incorporando onde já trabalhamos, nos demais momentos do nosso dia, encaixar nas atividades que já fazemos habitualmente.

3) Somente quando eu souber exatamente com certeza absoluta o meu Propósito vou conseguir realizá-lo.
Gosto muito do conselho que a Elizabeth Gilbert deu sobre isso, quando ela fala sobre seguirmos nossas paixões na vida. Muitas de nós não tem a menor ideia do que é isso, nunca experimentou o êxtase, o chamado, o estado de fluxo ao fazer uma determinada atividade ou encontrar uma causa para se dedicar na vida. E sentimos que tem alguma coisa de errada com a gente quando nos comparamos com outras pessoas que sempre souberam ou que eventualmente descobriram o que as deixam nesse estado, e vivem suas vidas fabulosas seguindo sua paixão. Se você não consegue descobrir seu propósito, se você não enxerga qual a sua paixão na vida, simplesmente siga sua curiosidade, veja para onde ela te leva. No mínimo, sua vida vai ficar mais interessante e rica, e no final das contas, é isso que buscamos quando estamos alinhadas com nosso propósito, não é mesmo?

4) Só vou conseguir realizar meu Propósito quando eu souber cada passo que tenho que dar.
Muito planejamento, muito estudo, uma estrutura compatível, se sentir totalmente preparada, e uma série de condições. Parece uma distância enorme a ser percorrida até finalmente a gente ter o direito de começar a usufruir de uma vida alinhada com nosso propósito. Confundimos as formas de como expressar nosso propósito como a parte mais importante da história, quando, na verdade, o ponto fundamental é o porquê de estarmos fazendo aquela coisa. A realização do propósito não acontece depois que ultrapassamos todos os obstáculos, e sim no sentimento de alinhamento durante o percurso. Até porque propósito não é uma meta a ser alcançada, é o que dá sentido para nossa vida, o que indica a direção do percurso, e não o destino. Já vi muitos colegas nos cursos sobre propósito de vida paralizarem justamente nessa questão. Ficam tão presos ao que pensam que seria o “caminho correto”, ao que os outros os dizem de como as coisas devem seguir, que nem ousam dar o primeiro passo, ou desistem depois de algum tempo porque não conseguem fazer as coisas seguirem de um determinado jeito pré-definido. Planejamento e orientação são muito bem-vindos, mas funcionam quando acompanhados de flexibilidade e espaço para o que não imaginamos encontrar nessa jornada acontecer.

5) Encontrei meu Propósito e tudo se encaixa e tenho as respostas para toda a minha vida.
Nunca mais vou me sentir perdida, com dúvidas, ou triste, deprimida, ansiosa, pois sei exatamente para onde tenho que ir e o que tenho que fazer. PÉEEEEEEEMMMMMM. Resposta errada. Não apenas, a medida que vamos explorando nosso propósito, as circunstâncias da vida vão acontecendo e nos pedindo ajustes na rota, nos desafiando, nos fazendo mudar de ideia. Como também o como manifestamos nosso propósito vai se transformando justamente porque estamos sendo transformadas. O processo de alinhamento com nosso propósito é uma forma de autoconhecimento que inevitavelmente nos faz explorar lados de nós mesmas que não havíamos explorado antes, ou pelo menos não daquela forma, e isso faz com o que nosso mundo interior se modifique, o que pede mudanças na nossa vida do lado de fora também. A própria jornada pode fazer nosso corpo ficar desgastado. Uma amiga querida minha me falou dia desses que ela não sabia porque estava infeliz, sendo que ela havia realizado todos os sonhos dela. Fiquei refletindo sobre isso, e me dei conta que talvez essa infelicidade seja derivada de questões fisiológicas, e não porque ela não está alinhada com seu propósito e seu sonho. Muitas vezes ignoramos o fato de somos seres de carne e osso, e que nossa biologia é falível, e que a esgotamos quando nos exigimos demais, inclusive na busca de realizar nosso propósito.

Por isso que tudo que eu acabei de explicar tem a ver com a sua saúde.

African American Woman Drinking Cup of Coffee or Tea

Sempre falo sobre o fato de que não existe saúde plena se não nutrimos cada aspecto da nossa vida com muito mais que comida. Existe uma estratégia que compartilho com minhas clientes toda vez que percebo que elas perderam o brilho no olho pela vida, que é a Dieta do Prazer. Ela nos ajuda a conectar com esse lado da curiosidade, de se libertar das amarras das condições e circunstâncias da vida, e começar a viver mais alinhadas com nossa essência um pouquinho todos os dias.

Mas comida tem muito a ver com nutrir nosso propósito também. Por dois motivos. Primeiro porque quando não estamos satisfeitas com os rumos de nossas vidas, acabamos por descontar na comida nossas frustrações, usando-a para tentar suprimir sentimentos desagradáveis ou preencher lacunas emocionais. O que, claro, nos faz ter um peso e um corpo que não gostamos, uma série de sintomas desagradáveis e doenças que complicam nossa saúde. O que nos leva a sofrer, o que retroalimenta nossa insatisfação com a vida de forma geral.

O segundo motivo é que comida é matéria-prima para hormônios e neurotransmissores, que por sua vez governam a forma como nos sentimos. Temos que lembrar que nossa fisiologia é uma parte importante daquilo que descrevi no início desse texto, que depressão, ansiedade, falta de energia e ânimo, o mau humor entre tantas outras coisas, podem ser criadas ou piorarem de acordo com o que ingerimos.

Eu percebo claramente que se o cuidado com nossa saúde física não caminha junto com a realização do propósito, e o contrário, se a busca pelo propósito não caminha junto com o autocuidado físico, um vai ficar sabotando o outro, e vamos nos desgatar demais no processo. Quando alinhamos esse aspectos, a possibilidade de termos resultados mais rápido e mais evidentes e melhores fica muito maior.

Imagens: intimacywithjesus.wordpress.com/fotosparaofacebook.com/doctoroz.com

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Aqui temos 4 comentários. Adicionar.

  1. Ah, Melissa, você como sempre certeira. Um dos melhores textos que já li sobre propósito!

    Eu me cobre por cerca de um ano para encontrar um objetivo, um propósito, um norte… até que percebi que já tinha um objetivo ao procurar por um propósito. Lendo agora até parece bobo, mas na época foi a chavinha que faltava para eu aproveitar mais o caminho e me abrir para as possibilidades. Então, encontrei um propósito, que depois percebi que era só a ponta do iceberg, e fui aprofundando, o propósito foi mudando junto (a ponta do iceberg, a essência se mantinha). Até chegar no que eu queria: me sentir onde e no momento que eu devia estar, alinhada. Foi êxtase.

    Até alguns problemas me desequilibrarem e tirarem essa sensação, e eu sentir que faltava o propósito, mas não era isso. Era só a vida, minha ‘humanidade’ mesmo rsrs… e meu equilíbrio mudando. E claro, as mesmas lições para aprender sempre, no meu caso: aceitar meus processos!

    Gratidão, hoje e sempre!

    • Melissa Setubal

      Rô, que demais essa sua reflexão sobre sua experiência. Essa lição de lembrar que somos seres humanos volta e meia me pega de surpresa, por mais que seja tão óbvio hehehehehe
      Gratidão pelo seu carinho e por compartilhar.
      Saúde e Amor!

  2. Melissa,
    Muito lindo o texto..falando de coisas tão sérias de forma tão leve e gostosa de ler..é um dom.
    Sou sua admiradora.

    Gratidão _/\_

    • Melissa Setubal

      Puxa, Ana, que delícia de mensagem. Fico muito contente em saber que os conteúdos que compartilham são úteis para você.
      Gratidão pelo carinho.
      Saúde e Amor!

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