Ciclo Menstrual

A falsa liberdade do anticoncepcional

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Saiba as várias consequências do seu uso para uma escolha consciente

Quem conhece meu trabalho sabe que minhas recomendações para minhas clientes e leitoras normalmente passam por começar incluindo mais coisas que fazem bem para seu organismo, para depois começar a rever o uso e consumo de coisas que não fazem tão bem. Uma delas, o anticoncepcional hormonal, um medicamento que, nos dias de hoje, é largamente usado, porém mal paramos para pensar quão pouco conhecemos sobre seus verdadeiros efeitos no corpo feminino.

Depois de receber diversas vezes o link para a matéria de capa de uma revista semanal de grande circulação, que fala sobre situações dramáticas vividas por mulheres que faziam uso dos anticoncepcionais, percebi duas reações nas pessoas: um profundo medo desse tipo de situação acontecer com elas, e a insegurança sobre o que fazer para lidar com as questões que, aparentemente, eram responsabilidade do anticoncepcional cuidar.

Diante de tantas matérias que tem circulado na grande mídia, ultimamente, fico surpresa de porque somente agora estamos conversando abertamente sobre um assunto que vem causando tanto sofrimento para as mulheres há tempos. Quantas mulheres vem até a mim contar sobre casos de efeitos colaterais graves do uso de anticoncepcional, isso só falando de quando se consegue estabelecer uma relação direta do seu impacto.

Na maior parte das vezes, passamos a vida inteira usando esses medicamentos sem ter ideia de que muitas coisas que sentimos, física e emocionalmente, tem relação direta com o fato de que estamos entupindo nosso corpo com substâncias artificiais a ele. Eu fui uma dessas mulheres. Tive a sorte de não ter sofrido de nenhuma doença grave durante os mais de 15 anos usando anticoncepcional oral ininterruptamente (sorte mesmo! Eu bem poderia ter sido mais uma estatística de trombose ou derrame).

Eu não sabia que ao invés de me livrar das preocupações, o anticoncepcional estava criando várias outras.

Eu não sabia que ao invés de me livrar das preocupações, o anticoncepcional estava criando várias outras.

Por isso, hoje, venho conversar sobre a ilusão criada de que os anticoncepcionais hormonais nos trazem liberdade sexual e de sintomas físicos. De que eles são medicamentos eficientes para evitar gravidez e tratar doenças dos órgãos femininos. Digo ilusão porque, quando eu tinha 15 anos e fui receitada a usar a pílula, a única coisa que me explicaram era o quanto eu poderia agora relaxar porque teria uma pele sem acne e não acabaria grávida.

Ninguém me informou, nem à minha mãe, que eu estava trocando uma pele lisinha e um sexo sem gravidez pelo aumento dos riscos de doenças gravíssimas e até possibilidade de morte. Nem ninguém me contou que efetivamente não estaria tratando os desbalanceamentos hormonais que eu sofria – e sim apenas mascarando sintomas. Nem que ele não tiraria da minha mente o medo de engravidar, uma vez que o anticoncepcional não é infalível.

Quando somos receitadas a tomar anticoncepcional para regular a menstruação, minimizar a TPM, ovário policístico, mioma, endometriose, cistos ovarianos entre tantas outras recomendações, o mecanismo que acontece é que os processos hormonais dos ovários ficam suspensos, por conta da presença constante dos hormônios artificiais no organismo. Ou seja, ele evita os sintomas do ciclo menstrual e a gravidez paralisando todo o mecanismo envolvido na ovulação e na preparação do útero para receber um óvulo fecundado.

Ao evitar que o ciclo natural de altos e baixos dos hormônios femininos aconteça, ficamos com a impressão ilusória de que finalmente tudo está no lugar que deveria.

Até me contarem que muitos dos sintomas que eu sentia eram causados ou aumentados por causa do anticoncepcional. Eu não sabia que minhas crises de enxaqueca, que minha dificuldade de ganhar peso e massa muscular, que meu humor mais deprimido e ansioso, que minha insônia, que minhas deficiências nutricionais (principalmente de Vitaminas do Complexo B), que os escapes e sangramentos que ocorriam mesmo emendando as cartelas, as infestações frequentes por Cândida, que minha gengivas inflamadas que sangravam constantemente, eram consequências diretas e indiretas do uso do anticoncepcional ao longo do tempo.

Eu não sabia que muita gente tem a libido diminuída. A pílula suprime o aumento dos níveis de testosterona no meio do ciclo menstrual, diminuindo consideravelmente o desejo sexual, conforme explica Dr Christiane Northrup no seu livro Women’s Bodies, Women’s Wisdom. Bem como tem gente que tem dores nas relações sexuais, ganha peso de forma persistente e não consegue perder, tem o apetite aumentado, tem muita dificuldade em engravidar depois que suspende o uso, tem o funcionamento de vários órgãos e glândulas comprometidos.

Eu não sabia que o risco de câncer, trombose, infarto e outros distúrbios de coagulação aumentado por causa do anticoncepcional. Um estudo dinamarquês observou mulheres que usavam anticoncepcional hormonal por um período de 10 anos e perceberam que elas tinham duas vezes mais ocorrências de coágulos do que as que não usavam. Já a Organização Mundial da Saúde considera a pílula carcinogênica, na mesma classe do tabaco e amianto.

E eu não sabia que, inclusive, usar a pílula interfere na forma como a mulher escolhe seus relacionamentos românticos. Pesquisadores da Universidade St Andrews e Stirling descobriram que as mulheres que usam anticoncepcional hormonal tendem a ignorar parceiros com características mais sensíveis e suaves, que são características de pessoas com melhores habilidades de comunicação e de expressão dos próprios sentimentos, considerados mais aptos a serem parceiros e pais melhores. Já um estudo da Universidade de Berna sugere que o anticoncepcional interfere na habilidade da mulher escolher um parceiro mais compatível geneticamente.

Por mais que existam muitas pesquisas afirmando que o uso de anticoncepcional é seguro e eficiente, é preciso primeiro saber qual o tempo de exposição das mulheres a esse tipo de intervenção medicamentosa (quanto mais cedo na vida o início do uso, sua duração, e sua continuidade maiores os riscos), e se elas foram totalmente informadas sobre todos os riscos e possíveis consequências que envolvem tal decisão (na maioria dos casos nem as bulas trazem todos os possíveis efeitos colaterais).

Novos estudos estão comprovando que mesmo os anticoncepcionais de baixa dosagem não são seguros como nos vendem. As pílulas de progesterona sintética aumentam o risco em 77% para hospitalização por coágulos, e dobra o risco de bloqueio das artérias quando comparadas com suas “irmãs” compostas de estrogênio sintético, segundo estudo da Kaiser Permanente.

No meu ponto de vista, algo não é seguro quando pode colocar a vida de uma pessoa em risco. E algo não é eficiente quando pode te livrar de um sintoma e trazer vários outros, ou ter que ser usado todos os dias do ciclo para evitar uma gravidez que só é possível por 5 dias no mês no máximo.

Vamos refletir: cada uma das decisões que tomamos na vida tem consequências. Eu quero que você se sinta inspirada a tomar uma decisão sobre o uso ou não do anticoncepcional a partir de pontos de vistas mais abrangentes. Porque quando eu tomei a decisão de tomar e continuar por anos a pílula, eu comprei a promessa de liberdade e encontrei escravidão.

A escravidão de ter que comprar um medicamento por mais de 30 anos da minha vida. A escravidão de suprimir um processo natural do meu organismo diariamente por causa do risco de engravidar de apenas poucos dias. A escravidão da falsa promessa de que meus hormônios estavam recebendo um tratamento eficaz que eu deveria tomar o resto da minha vida fértil. A escravidão de diversos sintomas físicos e emocionais adicionais ao que eu já sofria. A escravidão deixar de viver uma parte tão fundamental de ser mulher porque ninguém podia me oferecer saídas para meus distúrbios hormonais e meu desejo de não engravidar.

Há anos venho pesquisando soluções verdadeira para os desafios hormonais que eu passo e de minhas clientes e leitoras, mais efetivas e seguras que usar anticoncepcionais. E eu percebo que elas passam por três pontos fundamentais:

  • Aprender quais os alimentos e produtos que consumo que me ajudam a minimizar ou eliminar os sintomas e sofrimentos da TPM e do ciclo menstrual, ou que os provocam ou intensificam.
  • Aprender sobre métodos de contracepção naturais e que não causam interferência nos ciclos naturais dos hormônios femininos, tão ou mais efetivos que o anticoncepcional hormonal.
  • Aprender sobre os medos e inseguranças que estão por trás do apego ao anticoncepcional. Muitas vezes não sabemos que existem outras soluções com menos impactos negativos à nossa saúde, e que escolhemos usar esse tipo de solução por conta de algumas crenças limitantes que carregamos desde muito novas.

A verdadeira liberdade eu encontrei quando me ensinaram que eu poderia regular meus hormônios e seus sintomas e lidar com minha fertilidade com minhas próprias mãos, sem depender de um medicamento para isso. Usando um pouco de informação, suporte de pessoas interessadas em me oferecer um papel de protagonista no cuidado da minha saúde e da minha fertilidade, e a vontade de começar a efetivamente me cuidar com mais carinho e atenção, sou muito mais livre do que jamais fui quando o anticoncepcional estava na minha vida.

Não tenho o objetivo de criar polêmica, interferir do plano de tratamento médico de ninguém, nem converter você para a “religião das hippies que menstruam naturalmente”. Nem foi assim que a minha decisão pessoal de não usar esse medicamento aconteceu. Não foi um texto numa revista ou site que virou minha chavinha. Isso só aconteceu quando eu olhei de frente os medos e inseguranças que me levaram a começar a usar o anticoncepcional, e fui atrás de informação de qualidade diferente dos discursos Ctrl+C Ctrl+V que vejo dos profissionais e canais de saúde que recomendam o seu uso.

Eu desejo essa mesma liberdade para você. Liberdade de escolha verdadeira para que você possa tomar sua decisão sobre usar ou não anticoncepcional. Você tem todo o direito o direito de saber de todas as possíveis consequências de cada uma dessas possíveis decisões. E perceber qual funciona melhor para você neste momento. Muitas vezes, o que precisamos saber para fazer uma escolha, é que existem várias outras opções. E isso também é verdade para uma vida livre do anticoncepcional.

Imagens: myfancytips.com/images-2.drive.com.au/i.huffpost.com

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Aqui temos 12 comentários. Adicionar.

  1. Lívia

    Muito bom o post! Parabéns!
    Estou com vontade de substituir o uso da pílula por outro método anticoncecional, mas isso me gera bastante insegurança.
    Como é seu trabalho de coach? Gostaria de agendar uma sessão.
    Abraços.

  2. nome

    Olá. Gostei muito do seu texto e me interessei em evitar a gravidez de outra forma, mas confesso q ñ sei nada a respeito disso, gostaria de mais informações.

    • Melissa Setubal

      Olá Michelle, existem algumas opções que você pode pesquisar juntos a profissionais de saúde especializados, como:
      – métodos de consciência da fertilidade: existem vários tipos. Eu oriento sobre isso em meu programa de coaching individual, bem como você também pode conhecer sobre o Billings no site fertilidadeinteligente.blogspot.com/
      – métodos de barreira: camisinha masculina ou feminina, com associação ou não de espermicida.
      – DIU de cobre: que não possui hormônios associados.
      E a associação desses métodos entre si.
      O mais importante é você encontrar o que mais se encaixa com seu momento de vida e que esteja associado também a prevenção de DSTs.
      No que mais eu puder te apoiar, estou aqui.
      Saúde e Amor,
      Melissa

  3. Ana lucia

    Cara Melissa estou passando por verdadeiro sufoco , tenho um mioma e minha menstruação é muita porém em cinco dias ja terminou. Poren minha ginecologista indicou pílula de uso contínuo e tem mais de 15 dias que menstruo. queria parar mas tenho medo de mestruar muito até o organismo se adaptar novamente. Me de uma luz bjs

    • Melissa Setubal

      Olá Ana Lucia,
      sinto muito por esse sofrimento que tem passado com o mioma e os tratamentos que não tem tido o efeito que gostaria. Que tal agendarmos uma conversa para eu conhecer melhor o seu caso, e conversarmos sobre as possibilidades de lidar com isso sem precisar da pílula?
      Acesse http://www.melissasetubal.com.br/quero-saber-sobre-voce/ e escolha o dia e horário ao final. É gratuita!
      Saúde e Amor,
      Melissa

  4. Vanessa

    Oi Melissa,

    Bom dia.

    Interessante seu post e fiquei realmente preocupada comigo e, consequentemente, com meu organismo.
    Estou com 34 anos e desde os 12 anos de idade tomo anticoncepcional (Diante 35 ou o Diclin). Estou casada há quase 12 anos e nunca sequer tentei ficar grávida.
    Fiz tudo o que eu queria com a pseudo-liberdade dos anticoncepcionais: estudei, viajei, curti a vida… porém, quando me dei conta, os 3.4 chegaram: ah… agora a idade pesou.
    Este ano penso em tentar uma gestação.
    Meu esposo é louco para ser pai!
    Mas… tenho medo de não conseguir ficar grávida por conta do uso exagerado de anticoncepcionais. Obviamente, faço check-up semestrais e está tudo bem.
    Mas li muito sobre o assunto e preocupa-me o fato de que posso não engravidar ou demorar para que isso aconteça pelo fato de ter utilizado o anticoncepcional por mais de 20 anos… fico extremamente entristecida com isso.
    Há algo (ou existe alguma coisa) que eu possa fazer para reverter este quadro não muito animador?
    Aguardo ansiosamente um retorno.

    Atenciosa e Respeitosamente,

    VASC

    • Melissa Setubal

      Vanessa, eu entendo perfeitamente seu medo, e ele tem base sim. Ao mesmo tempo, também quero que você saiba que é possível reverter sim esse efeito do AC na fertilidade. É justamente uma das coisas que mais venho apoiando clientes que querem engravidar ultimamente.
      Usando a combinação de paciência, alimentação, fitoterapia, método de consciência da fertilidade, e métodos de autoconhecimento podemos resgatar sua fertilidade para você realizar esse desejo de aumentar a família.
      Que tal agendarmos uma conversa gratuita para que você me conte mais dos seus desafios e desejos, e conheça como funciona meu programa de saúde integrativa da mulher? Só escolher o dia e hora aqui http://www.melissasetubal.com.br/quero-saber-sobre-voce/
      Conte comigo!
      Saúde e Amor!

  5. Cintia

    Querida Melissa, excelente a discussão que vc nos propõe! Mas gostaria de saber qual seria a saída para mulheres que sofrem de endometriose (leve ou moderada), a não ser a tomada contínua de anticoncepcionais É o que tenho feito nos últimos 10 anos, sem nunca ter tido nenhuma outra sugestão médica para o controle da doença. Gratidão!

    • Melissa Setubal

      Cintia, infelizmente muitos profissionais médicos não tem conhecimento de outras metodologias para lidar com casos como o seu.
      É possível sim você ter endometriose e não precisar usar anticoncepcional como tratamento.
      Existem formas que combinam alimentação, fitoterapia e suplementação, e técnicas de autoconhecimento que podem te ajudar nessa jornada. É justamente a metodologia que uso com minhas clientes que experimentam condições dos órgãos femininos que normalmente são tratados com AC.
      Que tal agendarmos uma conversa gratuita para você me contar mais sobre seus desafios e desejos, e saber mais sobre como funciona meu programa de saúde integrativa da mulher? Só escolher dia e hora aqui http://www.melissasetubal.com.br/quero-saber-sobre-voce/
      Saúde e Amor!

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