Ciclo Menstrual

“Aos 36, descobri que estava velha.”

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Hoje, dou a palavra para a talentosa Débora Rubin, escritora, autora e editora de diversos livros, incluindo o “Eu só queria ser uma mulher normal“, e madrinha do Movimento Ame-se por Inteiro junto comigo e várias outras mulheres incríveis.

Neste texto, ela compartilha uma angústia muito comum entre nós: as mudanças do nosso corpo pela idade e pelo peso, o impacto da visão do outro sobre nosso corpo em nossa autoestima, e os questionamentos que nascem dessa angústia.

A pele que habito
(Ou um texto para se ler aos 72 anos)

por Débora Rubin

Não temi os 30. Passei incólume, meninona, corpinho de 20. E assim foi até que, semanas atrás, fiz 36. Os que também nasceram em 1979, antes de mim, foram avisando pelas redes sociais: mais perto do 40! Não tive medo. Sempre achei que os quarenta seriam o meu auge.

Dois dias depois do aniversário, fiz uma viagem a trabalho e, lá, descobri que estava velha. Um parceiro de lida, um ano mais velho, só fazia reclamar da decadência dos 37 e suspirar pelas mocinhas magrinhas de vinte. Nas fotos de biquíni, um corpo gorducho, meio quadrado, não me representava. Eu tinha, enfim, o que sempre quis: peitões!!! Mas eles vieram junto de uma carga pesada. Por e-mail, uma mocinha de 18 anos me fazia perguntas sobre meu livro e me chamava insistentemente de senhora. Faz sentido, a mãe dela deve ter a minha idade. Com a minha idade, minha mãe tinha filha de 14. No espelho, meus cabelos brancos seguiam crescendo sem inibição.

Caí numa depressão besta, dessas irracionais. E decretei: é pau, é pedra, é o fim do caminho.

Paralelamente, coisas bonitas aconteceram. Li um texto que calou fundo na alma, sobre a gente reconhecer o que é nosso, o autêntico, e o que é aquilo que achamos que temos que ser para os outros. Também nessa viagem conheci uma mulher linda, que já viveu o dobro que eu, já viu de tudo nessa vida, já teve 20, 30, 40…e soube viver cada década com beleza e leveza. Lá pelas tantas, eu disse que me impressionava como ela era ativa e multitarefa. E ela respondeu, mostrando uma foto dela aos 30 e poucos anos num mural:

“se eu passasse a vida toda achando que deveria ser essa pessoa aqui, estaria estagnada, parada no tempo e na vida de antigamente.”

old-woman121

Não foi bem isso, não lembro bem (será a idade?), mas foi o que ficou para mim.

Voltei de viagem e reencontrei meu marido, alguns anos mais jovem, e comecei a choradeira: eu nunca mais vou ser aquela menina. E ele disse: não vai mesmo. Ele, que vê em mim a minha voz autêntica, que reconhece a beleza no corpo (e cabelo) que tenho hoje, às vezes é mais maduro que eu.

Nunca mais vou ter mais aquele corpo, aquele cabelo, aquela carinha de sapeca. E seria deprimente se tivesse. Cada vez mais vão me chamar de senhora, os mais novos me verão como velha. A pele que eu habito mudou. Nova casca. E não vai ter auge algum, como não haverá decadência. São os dois ao mesmo tempo, o tempo todo. A aceitação da passagem do tempo é a aceitação da morte. O medo de envelhecer é o medo da morte. Nessa batalha em que a finitude vence de qualquer forma, resta escolher: tentar segurar o tempo com as mãos ou deixar que ele passe por entre os dedos? Que venham os próximos 36.

Imagens: thehoopla.com.au/dianablography.wordpress.com

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Aqui temos 4 comentários. Adicionar.

  1. Vanessa

    Lindo! Um convite para se repensar no modo como pensamos de nós mesmas.

    • Melissa Setubal

      Realmente a Débora leu a nossa alma, né Vanessa?
      Saúde e Amor,
      Melissa

  2. Isaura

    Debs, a carinha de sapeca está na tua fuça, inabalável. Não vai ter largar nunca!

    • Melissa Setubal

      Concordo plenamente, Isaura 🙂 Saúde e Amor, Melissa

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