Aprenda a pedir o suporte que você precisa

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Quando orientamos às pessoas em como elas podem nos ajudar emocionalmente, criamos um círculo virtuoso de felicidade mútua.

Aprendi a ser uma menina obediente desde pequena. Sinceramente acho que essa disciplina e esse olhar para o outro me ajudou a ter respeito pelas diferenças, e a criar um filtro que até hoje me serve bem para viver em sociedade e ser simpática a ponto de isso ser um diferencial na forma como as pessoas me tratam de volta.

Ao mesmo tempo, o excesso de “treinamento para gueixa” me criou uma grande confusão mental quando fui para o mercado de trabalho, no início de minha vida como jovem adulta. Logo entendi que eu teria que “me impor” se eu quisessem algum tipo de reconhecimento e sucesso profissional.

Ainda mais sempre trabalhando em ambientes extremamente masculinos e competitivos. Eu não sobreviveria por muito tempo se continuasse a abaixar a cabeça, pois ao mesmo tempo que essa subserviência poderia me levar para ter uma vida pacata e segura, somente aprendendo a ser firme nos meus pontos de vista, prová-los com dados e fatos, e a colocar claramente os recursos necessário para atingir os resultados, eu seria bem sucedida.

Esse foi o início da minha jornada.

Para pedir o que eu preciso, preciso ter muito claro em minha mente o que é importante para mim, o que tem valor, mostrar para a pessoa ao lado os porquês, e o que ela pode ganhar me dando suporte.

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Usando nosso lado racional a nosso favor, somos mais capazes de nos comunicar de forma mais efetiva sobre o que é importante para nós, e conseguir aliados.

Eu fiquei muito boa em usar meu racional para conseguir o que eu precisava para cumprir tarefas estabelecidas pelos outros. Mas ainda carecia de aprender a pedir para as pessoas à minha volta por suporte emocional. É claro que muitas vezes nem precisamos pedir, e a família e os amigos logo aparecem para apoiar.

Mas quantas vezes a gente fica frustrada ou fica se sentindo ainda pior depois que alguém quis te dar um conselho, ou fez algo pensando que aquilo iria resolver a situação, ou ficou ainda mais confusa sem saber o que fazer, mesmo quando existe a melhor das intenções por trás?

Quantas vezes procurei o colo de minha mãe por consolo e encontrei um “mas eu te disse”? Quantas vezes busquei o ouvido de uma amiga só para expurgar os sentimentos ruins, e ganhei um plano de ação não solicitado? Quantas vezes pedi apenas por conforto no ombro de um namorado, e recebi um soldado pronto para eliminar o inimigo a qualquer custo imediatamente?

Um momento marcante nesse meu aprendizado foi um dia em que eu estava muito chorosa, com as emoções à flor da pele, enfrentando alguns desafios, que de certa forma eu já tinha noção de como poderiam ser encarados, mas eu precisava chorar. Resolvi ligar para uma das minhas melhores amigas.

Só que hesitei, pois eu percebi que eu não queria alguém naquele momento para resolver meu problema, eu queria apenas chorar até a minha angústia acalmar, pois sabia que ficando presente para esses sentimentos eu conseguiria abrir espaço encontrar soluções e entrar em ação. Quando me dei conta disso, resolvi ligar e, imediatamente após seu alô, falei: “eu preciso agora que você apenas me ouça chorar em silêncio. Você tem disponibilidade e capacidade de fazer isso por mim agora?” E ela respondeu que sim, e generosamente me ouviu chorar por um tempo, que me pareceu uma eternidade. Ela só emitiu sua opinião depois quando solicitei.

Outro acontecimento como esse, mais recente, foi em um dos cursos que recentemente fiz nos EUA com outra de minhas melhores amigas. Ela normalmente é do tipo de pessoa que vem com mil ideias, estratégias e conselhos quando conversamos, e acho isso incrivelmente útil. Só que em um determinado momento do curso, tive que passar por um momento de aprofundamento de novos conhecimentos que ainda me pareciam muito fora da minha capacidade, e isso me despertou emoções fortes e profundas.

Ela prontamente veio ao meu resgate, me perguntou se eu queria conversar. Eu disse que não. E me dei conta de que não queria conversar porque não queria ter que lidar com o julgamento dela sobre o que eu estava sentindo, e me sentia vulnerável. Neste momento, virei para ela e disse: “podemos conversar, mas sem você me dar conselhos ou possíveis soluções para eu sair desse estado?” Ela sorriu e disse sim. Em cerca de menos de 30 minutos, eu estava gargalhando, enxergando mil possibilidades pela frente, e tive um restante de curso ainda melhor.

Quando eu aprendo a orientar como as pessoas podem melhor me apoiar, não sou apenas eu quem ganho um coração mais tranquilo. Quem me apoia se sente mais feliz por ter podido ajudar.

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“Nós nem sempre precisamos de conselho. Algumas vezes tudo que precisamos é de uma mão para segurar, de um ouvido para escutar, e de um coração para entender.”

Imagine como você se sentiria se pudesse fazer alguém que você ama ou alguém de seu convívio se sentir melhor apenas com sua presença? Perceba a relação de ganha-ganha nessa história: todo mundo sai bem desse tipo de interação! Quem precisava de ajuda se sente apoiada e amada, e que deu ajuda se sente capaz e útil.

Por isso saber pedir o que precisa é uma ferramenta muito valiosa para nós mulheres que buscamos ter mais autoestima e mais autoconfiança. Quando exercitamos a capacidade de reconhecer e pedir o que necessitamos e desejamos, com assertividade e vulnerabilidade ao mesmo tempo, estamos aumentando nossa capacidade de realizar nossos sonhos e de ter uma existência mais feliz e plena.

Reflexão da semana: Lembre-se de uma experiência recente de ter recebido suporte emocional de alguém e que você saiu dessa interação se sentindo desconfortável ou até pior do que antes. De que forma essa pessoa agiu que possa ter feito você se sentir assim?

Ação da semana: A partir da reflexão acima, comece a observar-se de que forma você funciona: quando preciso de suporte emocional, quais são as pessoas que me fazem me sentir melhor? O que elas fazem que me ajudam a me sentir assim? Comece a exercitar consigo mesma como você poderia solicitar a alguém que vai te dar suporte se ela tem a disponibilidade de agir da forma que vai ser mais benéfica para você neste momento. Inicie esse exercício com pessoas mais íntimas e mais empáticas, para você criar confiança para começar também a solicitar para outras pessoas.

Inspiração da semana: Brené Brown ficou mundialmente famosa por esse discurso sobre vulnerabilidade. O ato de pedir por suporte é talvez um dos momentos de maior vulnerabilidade que podemos viver na vida. Ela diz que a única variável entre uma pessoa que tem um forte senso de amor próprio e uma pessoa que não tem, é que a primeira acredita ser merecedora de amor, enquanto a segunda não se sente merecedora desse senso de conexão.

“…ao invés de imaginar uma catástrofe do que pode acontecer, dizer ‘Sou tão grata, porque me sentir vulnerável significa que estou viva’. E talvez o mais importante, é acreditar que somos suficientes. Porque quando partimos desse lugar… somos mais amáveis e gentis com as pessoas à nossa volta, e  somos mais amáveis e gentis conosco mesmas.”

 

Imagens:  gettyimages/berniesiegelmd

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