Comida: uma relação entre tapas e beijos

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3 passos para resgatar sua relação de amor com a comida

Estou em um relacionamento daqueles tipo iô-iô, separa e volta, separa e volta, sabe? Tem dias que é uma maravilha, delícia cremosa, um doce. Mas tem dias que é um azedume só, parece que tem alguma coisa estragada ali que eu não sei exatamente o que é. Esse relacionamento é o centro da minha vida e eu não vivo sem ele.

Aliás, esse relacionamento é o centro da sua vida também e você não pode viver sem ele. Estou falando da nossa relação com a comida, algo presente para nós antes mesmo da gente nascer, e que vai durar até o dia em que não habitarmos mais esse corpinho físico.

Enquanto tem dias que estou completamente apaixonada por ela, e cantarolo feliz entre panelas e mesas de restaurantes, tem dias que eu culpo a comida por todas as coisas que estão erradas na minha vida. Se me olho no espelho e não gosto do que vejo, é culpa daquela batata frita que comi três dias atrás, se não tenho energia para fazer nada, é porque não comi meus verdinhos todos os dias como eu deveria, e mesmo conhecendo muito de alimentação saudável e seguindo todas as regras eu ainda não me sinto com minha saúde plena, então estou fazendo ainda uma coisa muito errada, mesmo cortando gordura, carboidrato, gluten, lactose, açúcar (e qualquer outra comidinha minimamente prazerosa).

E aí, o que fazer sobre essa dinâmica de amor e ódio com a comida?

De uma relação simples de função (dar energia para o corpo funcionar), para uma relação complexa disfuncional (cheia de culpa, frustração, e proibições), nossa relação com a comida, hoje em dia, tornou-se uma obsessão tão grande quanto a importância dela em nossa vida.

E apesar da comida estar programada em nossos instintos de sobrevivência, estamos tão desconectados deles, que precisamos que especialistas nos digam o que devemos ou não comer.

Terceirizamos nossa relação com os alimentos para tanta gente, que perdemos a essência dessa conexão tão fundamental para a vida humana. Deixamos que os produtores, as indústrias, os profissionais de saúde, a família e os amigos ditem para a gente o que vamos usar como alimento, como seu fôssemos eternos bebês dependentes de nossa mãe para obter nutrição.

Então, como recuperamos esse poder sobre o que colocamos na nossa boca? E como podemos usar esse poder para ter mais prazer e mais saúde?

 

manwomanlovefood4_http-::cookingwithoutborders.wordpress.com

Precisamos resgatar nossa intimidade
com os alimentos.

  1. A primeira impressão: a hora da compra é o que define o restante da relação. Nesse momento, usar os sentidos é fundamental, pois esses são os instrumentos que temos desde o início dos tempos para definir o que vamos comer ou não. Tocar, cheirar, degustar, olhar, ouvir, sentir ficaram para segundo plano com tantas embalagens hermeticamente fechadas e componentes químicos que enganam nossos sentidos. Por isso, uma regra básica é fazer as compras no lugar onde as embalagens sejam inexistentes ou mínimas, o que praticamente garante uma alimentação que faz bem para a aparência e para a saúde.
  2. A sedução: a hora de cozinhar são as preliminares. Interagir com os alimentos, comprando-os e preparando-os é a única forma de termos certeza que estamos fazendo o melhor para nosso corpo e nossa saúde. Quando cozinhamos, independente se estamos fazendo uma receita natureba ou não, vamos comer muito mais saudável que a maioria das comidas de restaurante e industrializadas. Por isso cozinhar é uma das formas mais eficazes de ter mais saúde.
  3. O prazer: a hora de comer é o momento do êxtase. Alternamos entre o prazer a qualquer custo e a culpa do pecado da gula, entre a constrição para entrar no “reino dos céus” dos magros, e a compensação pelas frustrações do dia. Ganhamos de volta o verdadeiro prazer dos sentidos e da saúde quando entendemos a comida como apenas uma de nossas ferramentas de sobrevivência e de satisfação, ao invés de jogar nela toda a responsabilidade pela nossa saúde e felicidade.

Agora é sua vez:

Reflexão da semana: Qual seu nível atual de intimidade com a comida?

Ação da semana: Que passo simples e fácil de executar que você pode dar imediatamente para aumentar sua intimidade com o que você come, considerando os passos acima? Escreva agora alguns deles e escolha um para começar a praticar ainda essa semana. Compartilhe comigo o desenrolar dessa sua ação.

Inspiração da semana: Achei demais esse vídeo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor sobre as bebidas de frutas e a reação das crianças ao ver que a verdadeira quantidade de fruta desses sucos, néctares, refrigerantes e refrescos chega a menos de uma colher de chá! Um exemplo muito claro do quanto perdemos nossa intimidade com a comida de verdade, e o quanto estamos passando isso para as gerações seguintes.

 

Imagem: cookingwithoutborders.wordpress.com / amguiltless.blogspot.com

 

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