Ciclo Menstrual

Como expressar sentimentos incômodos sem sofrer tanto

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Aprenda a não ser vítima do seu choro, das suas dúvidas e da sua raiva

Existem certos sentimentos e suas expressões que são vistos como ruins, negativos, e que somos ensinadas a evitar a qualquer custo. Só que eles são inerentes dos seres humanos, e por sermos tolidas ou recriminadas ao expressar esses sentimentos desde pequenas, nos julgamos duramente por senti-los, e nos achamos erradas, sujas, inconvenientes.

Justamente porque não tivemos oportunidade de nos aproximar de verdade dessas formas legítimas de expressar nossos sentimentos, nós as tememos tanto, que não ousamos simplesmente deixá-las vir, ou imediatamente suprimimos ou nos anestesiamos. E se elas vem, ficamos nos culpando porque escapou nossa vigília, e prometemos ser ainda mais duras conosco mesma da próxima vez que esse jeito de mostrar nossos sentimentos ousarem dar a cara na rua. E acaba que não aprendemos a lidar com eles da forma mais fluida e tranquila.

Quero te convidar aqui para um novo ponto de vista sobre esses “renegados”, e como usá-los para se conhecer melhor e como uma ferramenta de sinalização do seu mundo interior. Permita-se ir mais além da superfície, da aparência das coisas e das circunstâncias, e explore profundamente os sentimentos por trás de cada um deles, principalmente quando se manifestarem. Dessa forma, você não vai mais se sentir uma vítima desses sentimentos, e ao invés de rechaçá-los, abraçá-los como amigos que te oferecem mensagens sobre si mesma.

  • Chorar:
    Como uma chorona de marca maior e com orgulho, digo que essa expressão de sentimentos pode até ser socialmente mais aceita nas mulheres, mas ainda sim é muito recriminado. No ambiente de trabalho é falta de profissionalismo e demonstração de fraqueza, nos relacionamentos amorosos é histeria ou frescura, no ambiente familiar infantilidade, e por aí vai. Quando na verdade chorar simplesmente significa que você tem a capacidade de externar os sentimentos do seu mundo interior. Talvez seja isso que incomode as pessoas que repreendem, julgam ou tentam fazer parar quem chora com mais facilidade, pois esfregamos na cara da sociedade o que está sendo ignorado ou reprimido nelas. Portanto, observe-se da próxima vez que algo te provocar choro, e com curiosidade de criança, perceba os gatilhos. Assim você vai se dando conta dos seus padrões de comportamento, o que vai te fazendo se sentir mais no controle dos seus pensamentos, o que leva a ter mais tranquilidade para lidar com as emoções que surgem em cada contexto, e inclusive chorar com vontade. Quanto mais reprimimos, mais nosso choro se torna descontrolado, bem como nossas emoções. Permitir-se expressar suas lágrimas livre dos pensamentos do que os outros vão pensar de você, na verdade, não apenas vai tirar uma pressão enorme de dentro de você, como vai te permitir acessar essa sensibilidade extra que pode ser usada de muitas formas a seu favor. Chorar te faz uma pessoa mais acessível às outras, pois elas te enxergam como alguém que tem mais acesso aos sentimentos e sofrimentos humanos. E essa empatia é uma qualidade muito admirável, e muito necessária nesse mundo tão duro de hoje.
Para não nos deixarmos ser arrastadas pelas incertezas, basta treinar ficarmos confortáveis em simplesmente estar com perguntas pulando em nossa mente. Isso nos dá a oportunidade de nossa mente inconsciente fazer conexões não óbvias, que podem nos levar a caminhos que não somos capazes com nossa mente consciente lógica.
Para não nos deixarmos ser arrastadas pelas incertezas, basta treinar ficarmos confortáveis em simplesmente estar com perguntas pulando em nossa mente. Isso nos dá a oportunidade de nossa mente inconsciente fazer conexões não óbvias, que podem nos levar a caminhos que não somos capazes com nossa mente consciente lógica.
  • Não saber para onde ir:
    Numa sociedade que premia o tempo inteiro os assertivos e cheios de certezas, estar cheias de perguntas e estar perdida pode ser uma grande maldição. Eu tenho me sentido cada vez mais pressionada sobre isso. Antes no mundo corporativo, eu tinha que ter um plano de carreira. Agora como dona do próprio nariz, eu tenho que ter um propósito. Mais do mesmo me dizendo que tenho que, o tempo inteiro estar plenamente consciente de cada passo que dou, com um plano estratégico de 20 anos, sendo seguido à risca. Claro que é muito útil ter um norte, e que a vida parece bem mais fácil quando temos mais respostas e certezas do que perguntas e dúvidas. Porém, não sabermos para onde ir é da mesma forma natural à nossa existência e absolutamente necessário. Tem um padre que disse uma vez que ter dúvidas é parte inerente de ter fé. Para não nos deixarmos ser arrastadas pelas incertezas, buscando obcecadamente calá-las com respostas rápidas e absolutas e racionais, basta treinar ficarmos confortáveis em simplesmente estar com perguntas pulando em nossa mente. Isso não apenas cultivamos paz de espírito em períodos de incertezas dentro e fora da gente. Assim, também damos a oportunidade de nossa mente inconsciente fazer conexões não óbvias, que podem nos levar a caminhos que não somos capazes de imaginar quando estamos presas às limitações de nossa mente consciente lógica. Forçar-se agir em um momento que nos sentimos perdidas só vai nos fazer gastar tempo e energia, e exigir um esforço enorme. Parar e estar consigo mesma, e ressignificar isso como a melhor e mais efetiva ação que você pode fazer em momentos de dúvidas, deixando de lado a pressão dos outros, pode até parecer passividade a quem olha de fora, mas vai acelerar sua capacidade de enxergar fora da caixinha e encontrar inovações e soluções inusitadas, na verdade. Cultivar essa característica pode virar justamente o seu diferencial.
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  • Acessos de raiva:
    Taí uma emoção incompreendida e quase mítica para nós mulheres. A grande maioria de nós foi treinada a não expressar raiva, porque é feio e incomoda uma mulher bravinha. E quando não nos aguentamos e soltamos tudo, somos as histéricas descontroladas mandonas. A raiva é uma explosão. Quando não conhecemos seus mecanismos e não observamos atentamente sua construção, ela pode ser extremamente perigosa e atrapalhar muito a nossa vida. Agora, quando usada de forma deliberada e consciente, pode ser a ignição que precisamos para dar asas às coisas que realmente nos importam na vida. Por ser um sentimento muito dinâmico, muitas vezes parece ser difícil de ser controlada e perigosa de ser cultivada, porém, ao observar a raiva surgindo dentro de nós, somos capazes de identificar facilmente o que é muito importante para nós, e portanto merece mais atenção do que talvez estejamos dando. Normalmente a raiva se origina de algum medo. Por isso, ao detectar a raiva “fermentando” dentro de você, ou já saindo pelas ventas, lembre-se de direcioná-la para movimentar essa área da vida que tem valor para você, e não para a pessoa que apertou o seu botão. Eu, por exemplo, costumo ficar com muita raiva de pessoas que me prometem alguma coisa e me deixam na mão. Eu comecei a refletir qual o medo que isso dispara. Depois de várias reflexões, percebi que tem relação com o medo de ser ignorada, abandonada. E devolvo para mim mesma essa questões: que parte da minha vida eu tenho ignorado, ou em que eu tenho me abandonado? Claro que vai haver vezes que a gente bate primeiro, e pergunta depois, mas é possível ir diminuindo a velocidade desse acesso de raiva para que você possa redirecionar a energia dela para mudar a si mesma. E assim, expressar sua opinião ou indignação com firmeza, mas sem ser demasiado agressiva. No meu caso, comunicar para a pessoa que não está ok me deixar na mão de forma assertiva, clara e direta.
Imagens: aplaceofhope.com/theunlost.com

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Aqui temos 4 comentários. Adicionar.

  1. Márcia

    Eita! Texto arretado!!! 😉
    Reflexões de sobra!!!
    Beijão

    • Melissa Setubal

      Bom saber que o artigo trouxe reflexões importantes para você, Márcia!
      Beijão, cheio de saúde e amor!

  2. Melissa, que vontade de te abraçar! haushaushua… sério, já respondi seu email de hoje (ou ontem) porque me tocou fundo. E esse texto me deu vontade de chorar, mexeu com tanta coisa aqui dentro. Foi um complemento ao email, as respostas que seu email trouxe para mim. GRATIDÃO! <3

    PS: A Ana Thomaz, não sei se você a conhece, é um dos maiores nomes da descolarização (ou unschooling) no Brasil, para ela, a raiva é um sentimento super necessário, que "se não tem um pouco de raiva, não limpamos a casa" rsrs

    Beijos!

    • Melissa Setubal

      Que demais, Rô! Quero sim esse abraço gostoso 🙂 Gratidão a você por sua mensagem inspiradora e pelo carinho. E não conheço não o trabalho da Ana Thomaz, mas sou fascinada por descolarização, e com o incentivo a abraçarmos e aceitarmos todos os nossos sentimentos como válidos e úteis, em uma sociedade que condena várias das facetas do ser humano.
      Beijos, com muita saúde e amor!

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