Receitas

Como nutrir sua alma com comida

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Um manifesto pela comida com alma

Estávamos conversando no grupo de coaching de saúde sobre a foto do prato do jantar de uma das clientes, que orgulhosamente mostrava o que acabara de cozinhar para si, quando surgiu um comentário de que um pão feito pela avó era pouco nutritivo e mega calórico, que era melhor comer o pão fininho feito em uma padaria ou indústria aleatória, que (parece) não ter tanta caloria assim.

Fiquei pensando no raciocínio que nos leva a pensar desta forma: melhor comer uma coisa industrializada com menos calorias que comer uma comidinha feita por alguém que nos ama com mais calorias. Quando foi que contagem de calorias se tornou o item mais importante na escolha de um alimento? Quando foi que comida com menos calorias se tornou sinônimo de saudável? Quando foi que passamos a confiar mais no alimento feito em máquinas que o alimento feito pelas mãos?

Não pretendo discutir neste texto a densidade nutricional nem os ingredientes das receitas, e sim a alma dessas comidas. Sim, porque comida pode ter alma. E temos comido tanta coisa sem alma, que nem percebemos o quanto estamos deixando de aproveitar dos alimentos.

Penso que comida adquire alma desde antes de ser concebida. Há que ter uma origem em um ser vivo. Ser uma combinação única de elementos da natureza, sol, chuva, terra, ar, outros seres que ajudam a esse ser se desenvolver e existir, tem que ter um universo absolutamente complexo, em um formato absolutamente simples de ser aproveitado por outro ser.

Então, alguém decide que aquilo é comida e precisa ser comido, e cultiva e cria, e oferece para outros seres se beneficiarem de sua energia. Ali, se sopra mais um pouco de alma na comida, que é transportada para que seja comida. São muitas mãos que carregaram, deixando mais rastro de alma neste alimento.

Young woman on the market

Você já parou para pensar na história de vida daquele ser ou produto que você escolheu para ser sua comida?

Até alguém decidir levar para casa, e usar como ingrediente em uma preparação única, decidir transformar algo maravilhoso em essência numa sinfonia de aromas, sabores, texturas. Quanta alma é impregnada nesse momento, e ainda mais quando esse alimento é ofertado para outras pessoas, que impregnam suas almas quando dizem “Sim!”, e saboreiam cada pedaço. E aquele alimento cheio de alma passa a fazer parte daquela alma que acolheu aquela comida com sua mordida.

Comida nutritiva e saudável também é aquela que enche os olhos o e a barriga, nos preenche os sentidos e o espírito.

E quando a gente se nega comida com alma, e gente perde um pedacinho da nossa, a alma vai desbotando. Negamos a alma da comida no momento que a reduzimos a uma mera ferramenta usada para calar a boca do nosso estômago impertinente que ousa sentir fome, que a reduzimos a números e tabelas, que a reduzimos a um bando de ingredientes artificiais que não são reconhecidas pelo nosso corpo como nutrição.

Minha sugestão é você dizer mais sim para comida com alma, aquela que você enxerga sol, chuva, terra, ar, e outros seres nela, que você sente cada mão que a trouxe até você, e que a transformou numa apetitosa versão, que você sente o amor. Como a cenourinha orgânica que você comprou das mãos da pessoa que a produziu, e virou uma linda salada no seu prato por suas próprias mãos. Como o pão da vó do início dessa conversa, que talvez tenha muitas calorias porque tem muito calor humano.

 Imagem: femside.com

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