Como se livrar da culpa depois de comer demais

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 3 formas de quebrar o círculo vicioso da culpa na sua alimentação

A história parecer ser igual para todo mundo: vem o final de semana, ou a festa de aniversário, alguém convida para uma happy hour, ou um jantar na casa daquela pessoa que cozinha divinamente bem, _________ (preencha aqui a situação de sua escolha), queremos dar uma relaxada, compensar o estresse e os aborrecimentos, dar uma levantada no astral, ______________ (preencha aqui sua justificativa mais usada), e acabamos por comer demais, daquelas comidas que são antítese de uma dieta saudável.

Não dá para saber o que faz a gente se sentir pior: os sintomas físicos incômodos dos excessos, como a azia, má digestão, gases, dor de cabeça, sono ruim, falta de foco, etc etc, ou a culpa horrenda que se instala em nossa mente e nos faz sentir a pior das criaturas.

Culpa porque saiu da dieta, vergonha porque isso vai te fazer engordar e todos vão comentar, autocrítica ao se olhar no espelho e ver as gordurinhas e celulites como resultado direto do seu mau comportamento, e mais um festival de sentimentos ruins de autoflagelo que só parecem acalmar com um pote de sorvete ou caixa de chocolates, que claro, fazem o círculo vicioso se perpetuar.

No meu caso, costumo ter esse tipo de reação quando tenho enxaqueca ou durmo mal. Logo pego meu chicotinho para me punir porque comi aquele hamburguer com batata frita na noite anterior, ou bebi uma taça de vinho no meio da semana, ou resolvi fazer a insana escolha de comer uma pizza com queijo. Me dá uma raiva tão profunda de mim mesma! Poxa vida, eu sei muito bem o que é melhor pra mim! Por que será que eu insisto em comer essas coisas? E pior ainda, por que será que eu continuo me batendo por fazer isso?

Vamos parar para refletir: adianta ficar alimentando esse monstrinho da culpa que fica correndo atrás do próprio rabo só esperando sua punição ou que alguém fique com dó de você?

Percebe que ao repetir essa “fórmula automática” da culpa em relação à comida, nós obtemos os mesmos resultados, que é continuar se culpando e sofrendo?

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E antes que você pense que vou ficar aqui listando uma série de “antídotos” contra a ressaca, tanto física quanto moral, saiba que não. Justamente porque esse sistema de compensação também alimenta a culpa. E da seguinte forma: eu costumo recomendar o suco verde em jejum para quem deu uma exagerada na comedeira ou bebedeira na noite anterior. Super funciona, claro! Nosso fígado fica feliz com o suporte extra, já que o coitado ficou sobrecarregado com excesso de toxinas para processar e ajudar nosso organismo a se livrar delas.

Só que se pensarmos que é só tomar suco verde depois dos exageros, tudo vai ficar bem sempre, não apenas vamos associar o suco verde como nossa punição porque “fomos meninas más porque comemos gordices”, como vamos fazer nosso corpo ficar pendulando em um curto espaço de tempo entre os dois extremos da detox e do junk, e isso é extremamente prejudicial para nosso organismo, pior ainda para nossa autoestima.

Fazer o quê, então, quando o exagero já foi feito?

  1. Use comida de verdade, não como punição, mas como ato de amor.
    Pode ser o suco verde, uma salada, um prato de arroz e feijão e couve, não importa muito qual a comida de verdade que você vai escolher, mas escolha comer refeições ricas em nutrientes não porque a coach de saúde aqui falou que é a coisa certa para se fazer, e sim como uma escolha de amar o seu corpo. Essa mentalidade é a chave para quebrar o comportamento vicioso da culpa. As pessoas tem repetido demais para si mesmas e para os outros que está comendo salada para compensar o churrasco de fim de semana sem saber que estão reforçando na sua programação mental que salada é punição e churrasco é esbórnia. Quando colocamos tudo como simplesmente comida, sem classificar como uma certa e a outra é errada, tanto você vai ser muito mais feliz comendo a salada, como o churrasco não vai mais ter aquele impacto de tentação e de proibido, e seu comportamento diante dele vai ser de muito mais tranquilo. Daí tanto a salada quanto o churrasco serão atos de amor, ou seja, escolhas conscientes vinda da nossa vontade de fazer o melhor por nós mesmas, e não dos desejos incontroláveis e dos prazeres proibidos.
  2. Cuide com carinho extra do seu corpo, trazendo sua atenção para ele.
    A ideia aqui é colocar seu foco no pedaço de você que mais sente as consequências dos exageros, que são os sintomas físicos. Assim você fica presente para o impacto real do ocorrido. Mas de novo, sem punição. E sim para saber o que você pode fazer para cuidar dele com mais carinho e gentileza, sem correria. Pode ser um banho com aromaterapia de óleos essenciais, ou fazer uma aula tranquila de yoga, pode ser dançar sua lista de músicas favorita, ou simplesmente ficar deitada quietinha por alguns minutos escutando o que seu corpo tem a te dizer. Existe inclusive várias meditações guiadas que você pode acessar na internet para ajudar nisso. Prestando atenção no corpo, não ficamos paranoicas com a tagarelice julgadora da mente, e assim não fica espaço para a culpa.
  3. Nutra-se além da comida, já que o exagero nasce de uma fome de amor.
    Refletir sobre o que levou a gente a ter um comportamento descontrolado com a comida é a fonte da solução desse problema. É muito comum a gente usar a comida como forma de suprir outros desejos que temos, muitas vezes inconscientes, e que não nos permitimos ou não nos permitem serem expressados de outra forma. Pode ser fome de abraço, de carinho, de atenção, de reconhecimento, de toque, de alegria, de prazeres (outros além da comida), e por aí vai. Então, na hora que a culpa tentar chegar perto de você, peça pra ela dar um tempo, e comece essa reflexão. Ao detectar qual a necessidade emocional que não foi suprida, você pode ir nutri-la, e assim você quebra o ciclo automático de exagero > culpa > compensação e volta ao início.
 Imagens: sheknows.com/onlinemedical.org

 

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Aqui temos 4 comentários. Adicionar.

  1. Vanessa

    Tava sentindo falta já! Seus textos são sempre legais e super pertinentes. Me identifico com todos, mas esse foi muito legal. Eu era muito assim. É como vc falou, é preciso tomar consciência do por quê vc tá comendo tal coisa: é fome mesmo ou é só por ansiedade, frustração..? Bem lembrado o fato de dormir bem, dormir mais, também ajuda a evitar a atacar doces e junk food.
    No meu caso o problema não é só o final de semana, mas tem uma colega aqui do trabalho que TODOS os dias comprava chocolate e balas e pra galera. Antes eu confesso que não resisitia, comia e me arrependia. Agora eu não pego mais..não tenho mais vontade rs

    • Melissa Setubal

      Oi Vanessa, que legal saber que você fica aguardando pelos meus textos 🙂 E que eles fazem sentido para você. E sim, ambiente de trabalho é um dos maiores desafios na busca da alimentação saudável por tantos motivos, inclusive as pessoas gente boa que gostam de agradar com comida… Que bom saber que você conseguiu quebrar esse círculo vicioso do dizer sim para todo doce que te é oferecido. E sem sofrimento! 🙂
      Saúde e Amor,
      Melissa

  2. Daniel Ferreira

    Que bela mensagem de amor. Amor ao nosso templo , nosso corpo =)

    • Melissa Setubal

      <3

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