Ciclo Menstrual

Como ser emotiva pode ser uma excelente característica

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2 truques para usar as mudanças de humor como aliadas para uma vida melhor

“Não chora”. “Você está de TPM”? “Sua descontrolada”! “Por que você está tão irritada”? e tantas outras frases que ouvimos de novo e novo, inclusive que nós desferimos sobre nós mesmas e outras mulheres. Por que será que nossas mudanças de humor e emoções a flor da pele incomodam tanto?

Até bem pouco tempo atrás, eu pensava que tinha alguma coisa de muito errado comigo por ser assim. Passei boa parte da minha vida tentando consertar esse “defeito”: sentir demais e não conseguir me conter de deixar isso à mostra.

Lutava com todas as minhas forças para não sentir. E mesmo assim sentia. Lutava mais ainda para não demonstrar. E acabava demonstrando. Lutava com meus últimos recursos para não perder o controle, e me encontrava totalmente a mercê das minhas emoções. Depois era catar os caquinhos, rezar para que as pessoas atingidas pelo meu furacão emocional ainda gostassem de mim e me respeitassem, e fazer de tudo para que a situação não se repetisse. Só que, tudo acontecia novamente. O tempo inteiro.

E não escolhia lugar nem hora. No trabalho, volta e meia estava eu chorando por alguma frustração ou indignação. E não importava quão durona e competente eu poderia ser comandando reuniões que chegavam a 20 homens em uma sala + euzinha com vinte-e-alguma-coisa anos. Tudo ia por água abaixo, literalmente por meio das minhas lágrimas que volta e meia teimavam em acabar com minha reputação.

Eu sinceramente achava que isso era uma falha de caráter, que eu tinha algum defeito fisiológico que me impedia de ter emoções estáveis todos os dias do mês, e quando alguma coisa me provocasse alguma reação mais forte, eu deveria estar em pleno controle da situação, ser cool, fina, blasé, e conduzir tudo como se nenhum fio do meu cabelo fosse mexido pelo vento.

Daí me dei conta: sim, a sociedade como funciona hoje (e há muitos milênios) faz sim a gente acreditar que ter uma mente e um corpo de mulher é um defeito fisiológico que precisa ser consertado, simplesmente porque eles funcionam em ciclos e são governados por hormônios e energias que nos oferecem uma experiência humana nada linear.

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Estudando muito sobre o assunto, vou percebendo cada vez mais que acolher e aprender a usar essas nossas flutuações de humor são uma das chaves mais fundamentais para nossa saúde física, para usar nossas emoções a favor do que desejamos na vida, e para nos amarmos por inteiro.

Segundo a Dr Julie Holland, os estados emocionais flutuantes são, na verdade, uma adaptação evolutiva saudável da nossa biologia humana. Isso foi confirmado por cientistas que publicaram resultados de uma pesquisa no Trends in Cognitive Sciences, que argumentam que essa é uma característica que nos deixa mais aptas a nos adaptar mais facilmente a mudanças ambientais e circunstanciais.

Ou seja, esse nosso superpoder de percepção e julgamento do nosso entorno sempre foi tachado de irracional e desvantajoso, impedindo a gente de, muitas vezes, lidar melhor com as situações nas relações humanas, desenvolver habilidades que poderiam nos trazer vantagens competitivas no mercado de trabalho, e ainda avaliar melhor oportunidade de crescimento pessoal. No final das contas, nossos “arroubos” emocionais são excelentes pistas para conhecermos melhor a nós mesmas, aos outros e ao nosso ambiente.

Existem dois truques aí para ficarmos atentas:

  • O primeiro é saber que (ainda infelizmente) seremos sim julgadas por grande parte das pessoas ao nosso redor por sentir e demonstrar o que sentimos.
    Temos que ter completa consciência disso, e já antever que essas pessoas provavelmente não vão nos compreender ou até vão nos criticar por sermos assim. Por diversos motivos, seja porque elas nunca se deram permissão de demonstrar os próprio sentimos, seja porque ela não opera dessa forma no mundo, seja porque o ambiente censura esse tipo de expressão emocional, e por aí vai.
    O lance aqui é você começar por se sentir confortável em expressar para si mesma sua emoções, e conhecer-se tão intimamente que você já sabe como vai reagir diante de certo botões que são apertados pelos outros ou pelas circunstâncias.
    Eu, por exemplo, sei que sempre  choro com qualquer coisa que me provoca emoções mais fortes, sejam boas ou ruins. Ouço com frequência alguém me falando “não chora”, “não fica triste”, “desculpa, não queria te provocar isso”, ou a pessoa ficar muito desconfortável na minha frente, e me julgar de fraca.
    Antes eu tentava engolir o choro, ou me descontrolava e chorava ainda mais, e sempre me sentia mal por ter chorado na frente de alguém. Hoje, eu choro até na minhas palestras (não importa qual fase do ciclo menstrual eu esteja)! Eu ensino para as pessoas como eu funciono, e que isso é uma característica minha que me faz estar muito mais presente para o que me importa, e que expressá-la exatamente no momento que ela se manifesta faz com que eu me desvencilhe dessa flutuação emocional mais fácil e rapidamente.


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  • O segundo é admitir que, como seres humanos, e principalmente mulheres, nós sentimos.
    Isso faz parte de nossa natureza, ter raiva, tristeza, ansiedade, no minutos seguinte esta sorridente, alegre, animada, e por aí vai. O passo um é ficar confortável em assumir esses sentimentos, e não desmerecê-los ou ignorá-los. O passo dois é desapegar deles.
    O fato de ter sentido o que sentimos não significa que precisamos nos agarrar a esse sentimento como carrapatos, sugando até a última gota dessa onda emocional como justificativa para não agir, ou para manipular alguém a se comportar de determinada forma conosco, ou ainda para impedir nosso crescimento pessoal.
    Sentir uma emoção, como eu disse acima neste texto, nos dá pistas valiosas do que está acontecendo no nosso universo interior. E a partir dessas pistas, entender o que exatamente disparou aquele emoção, refletir sobre quando foi que aprendemos a reagir dessa forma quando detectamos esse determinado gatilho, e escolhendo parar por um momento para integrar esse efeito dominó emocional, e perceber que pecinha podemos mexer para passar a ficar mais confortável nessas situações desconfortáveis.
    E assim, ao invés de ficar tentando estar no controle, ganhamos algo melhor: autoconsciência. Que consiste em não em ser perfeita, acima do bem e do mal, incólume às emoções, e sim, a dar as mãos para caminhar junto com elas, e assim viver menos o peso dos julgamentos, das censuras, prisão dos estados emocionais, e mais a liberdade e leveza que tanto buscamos no nosso dia a dia.
    Várias clientes minhas viram suas vidas e relacionamentos mudarem completamente quando passaram a observar e aceitar mais as emoções que vinham constantemente à superfície. E, por exemplo, a se permitir sentir raiva e expressá-la, a falar mais como se sentem e não ligar mais para que os outros pensam sobre isso.
    Uma delas até tomou coragem para expressar algumas coisas engasgadas para a família do marido que a incomodavam, e depois disso, se sentiu tão mais dona de suas emoções, que a relação com eles ficou mais leve, saudável e com muito menos atritos. Hoje, ela sabe quais os botões que eles apertam, e ela aprendeu a se preservar, e a não desvalorizar suas emoções, e sim usá-las para detectar quando é hora de dar um tempo, ou usar alguma das ferramentas que aprendeu para lidar com esse tipo de situação desconfortável.

E de descontroladas, escravas de nossas emoções, nos tornamos empoderadas por essas mesmas emoções, que de inimigas, se tornam nossas maiores aliadas para alcançarmos a qualidade dos relacionamentos pessoais que almejamos, a satisfação no trabalho que fazemos, a saúde física e o corpo que buscamos, a autoestima e o senso de realização que sonhamos.

Imagens: bigthink.com/thoughtpursuits.com/sereniti.ro

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