Em defesa da comida: Michael Pollan

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Vocês conhecem Michael Pollan? Ele é um jornalista norte-americano que pensa sobre o que comemos. Figura rara hoje em dia, a meu ver. Pollan passou os últimos anos pesquisando e analisando de onde vem nossa comida, nossos desejos e nossos ansios relativos à alimentação. E enquanto acredita que essa  transformação do arroz, feijão e bife em carboidrato, proteína e gordura é extremamento nociva à saúde ao nos distanciar progressivamente da comida, vê com clareza a nova fase pela que passamos à mesa. Fica aí um trecho da introdução de seu mais recente livro e a dica de uma leitura bacana para quem quer entender melhor o que come.

Trecho de Em Defesa da Comida, de Michael Pollan:

“Já sabemos quase tudo que precisamos saber sobre como comer, ou soubemos até permitir que os especialistas da nutrição e os anunciantes abalassem nossa confiança no bom senso, na tradição, no testemunho de nossos sentidos e na sabedoria de nossas mães e avós.
Não que tivéssemos muita escolha quanto a isso. Na década de 1960 tornou-se quase impossível manter formas tradicionais de alimentação em face da industrialização de nossos alimentos. Se quisesse comer hortifrutigranjeiros cultivados sem produtos químicos sintéticos ou carne de gado criado no pasto sem produtos farmacêuticos, não seria possível. O supermercado tornou-se o único lugar para comprar comida, e a comida de verdade sumia
depressa de suas prateleiras, para ser substituída pela moderna cornucópia de produtos extremamente processados com aspecto de comida. E porque tantas dessas novidades mentiam aos nossos sentidos com adoçantes e aromas de imitação, não podíamos mais confiar no paladar nem no olfato para saber o que estávamos comendo.
A maioria de minhas sugestões se resume a estratégias para fugir da dieta ocidental, mas antes do ressurgimento dos mercados do produtor, do surgimento do movimento orgânico e do renascimento da agricultura local que agora está acontecendo nos Estados Unidos, sair do sistema da alimentação convencional simplesmente não era uma opção realista para a maioria das pessoas.
Agora é. Estamos entrando numa era de alimentação pós-industrial; pela primeira vez em uma geração é possível deixar para trás a dieta ocidental sem ter também que deixar para trás a civilização. E quanto mais houver pessoas que votem com seus garfos por um tipo diferente de alimento, mais comum e acessível ele se tornará. Entre outras coisas, este livro é o manifesto de alguém que come, um convite para que você se una ao movimento que está renovando nosso sistema alimentício em nome da saúde — saúde no sentido mais amplo do termo”.

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