Eu não me encaixo no mundo e tudo bem

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Como me sentir um ET durante toda a minha vida construiu minha autoestima e meu senso de pertencimento

Esse texto é para você que se sente um peixe fora d’água. Que nasceu em uma família em que você não conseguia se reconhecer como parte, e mesmo as pessoas que tinha alguma coisa em comum contigo, não ajudavam muito a você não se sentir uma estranha no ninho. Esse texto é para você que volta e meia vê uma cara de interrogação na sua frente quando conversa com seus amigos, como se você estivesse falando alguma língua aborígene, e mesmo que eles genuinamente te aceitem e façam de você parte do grupo, é comum você sair incompreendida quando interage com eles.

Esse texto é para você que tem fama de esquisita ou revolucionária, de introvertida ou sociável demais, que de alguma forma ou de outra se sente com frequência fora do passo do resto do mundo, e que quando tenta andar no mesmo ritmo sua alma grita de tanta dor. Esse texto é para você que se sente inadequada, errada, fora do eixo, uma freak, e que muitas vezes ouviu que você é isso de alguém, e que olhar para as pessoas ao redor e as que estão na mídia só reforça que tudo isso parece ser verdade.

Você é sim tudo isso. E não é. E para viver mais confortável nessa contradição, é muito importante a gente encontrar a nossa tribo, gente que enxerga o mundo de um jeito parecido com o nosso. Muitas vezes parece que você é a única criatura rastejante na face da Terra que se sente como se sente, que age como age, que busca o que busca, mas acredite, você não é. Somos muitas e muitos. E estamos todos saindo do submundo do nosso universo interior, onde ficamos confinados por muito tempo ouvindo nosso ego gritar “tente se encaixar ou morra”.

Ter uma tribo nos ajuda a entender que tudo bem a gente ser distinta de outras tribos. E tudo bem a gente a gente ser igual. Assim a gente aprende a aceitar que a gente é única e igual, especial e ordinária ao mesmo tempo.

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Até dentro da tribo das mulheres vejo várias sub-tribos, que entendem a expressão do que é feminino de várias formas diferentes.

Em uma tribo de gente como a gente, reforçamos nossa autoconfiança para sermos capazes de agir em um mundo que está repleto de gente que não é necessariamente como a gente. E quando penso que já aceitei tudo que há de diferente sobre mim mesma, descubro outra característica que me faz de novo ter que me amar e me aceitar exatamente como sou.

Enquanto todo mundo foi fazer balé, escolhi o piano com 6 anos. Enquanto todo mundo morava com os pais, eu saí de casa aos 10 para estudar. Enquanto todo mundo foi fazer medicina e engenharia, eu fui fazer comunicação, onde enquanto todo mundo ia trabalhar em jornal e agência de publicidade, eu fui virar executiva de grande empresa. Enquanto todo mundo forma família e compra casa, eu larguei o emprego e fui fazer um sabático. Enquanto todo mundo crescia na carreira e na carteira, eu resolvi partir do zero. E nessa caminhada, na maior parte do tempo me senti extremamente solitária e inadequada.

E enquanto eu agora finalmente achava que já havia encontrado minha tribo, eis que a vida me apresenta uma nova faceta de mim mesma que, de novo, me faz pensar que sou uma louca, e que todo mundo acha isso de mim também. “Quantas vezes ainda eu vou mudar? Quantas crises existenciais eu ainda vou ter nessa vida? Será que nunca vai parar?”

Quando a angústia de não se sentir confortável na própria pele e de não se sentir pertencente fica grande demais, é a nossa tribo de iguais que nos resgata das armadilhas do ego.

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“Quando você encontra pessoas que não apenas toleram suas excentricidades, mas as celebram com gritos alegres de “Eu também!” lembre-se de valorizá-las. Porque esses esquisitões são a sua tribo.

Precisamos encontrar nossa tribo justamente para ter suporte de quem passa ou passou pelos mesmos (velhos e novos) desafios e angústias, para receber encorajamento para seguir em frente quando o ego ou o mundo nos convence do contrário, para ter sempre alguém para te lembrar quem você é de verdade e o que é importante para você nessa vida. Ao aceitarmos a nós mesmas, aceitamos ao outro. Ao aceitarmos ao outro, aceitamos a nós mesmas.

Hoje vejo que, mesmo me sentindo um ET, volta e meia eu esbarrava com outro ET ao longo do caminho. E quanto mais eu abraço meu lado alien, quanto mais eu falo em voz alta e firme sobre ele no mundo, mais gente se vai se juntando a minha volta, e minha tribo vai ser formando, um conjunto de várias tribos diferentes com pessoas diferentes. Todas com uma vontade em comum: ser aceita e amada exatamente como são.

Que tal começar a ser aceita e amada exatamente como você agora mesmo, com todas as suas “esquisitices”?

Se olhe no espelho e sorria.

Reflexão da semana: Em que situações você se sente “um peixe fora d’água”? Em que situações você se sente compreendida e aceita?

Ação da semana: Comece a observar as pessoas presentes em cada tipo de situação que você pensou na reflexão acima. Comece a escolher passar mais tempo com as que provocam essa sensação de pertencimento e aceitação, e menos com as que te criticam ou menosprezam, ou simplesmente não te compreendem. Você não precisar evitar completamente conviver com essas pessoas, mas você pode ampliar o tempo e o círculo de convivência das que fazem parte da “sua tribo”. Quanto mais a gente se mostra todas as faces do nosso ser, mais essa tribo vai aumentando, e mais nos tornamos capazes de conviver com tranquilidade com as pessoas que parecem não nos compreender.

Inspiração da semana: Há alguns meses, essa entrevista que a Patrycia Travassos fez com o Matias de Stefano chegou até a mim. Eu, sinceramente, nem consigo entender metade dos assuntos que ele fala nesta entrevista, mas não tive como negar o fato de que somos muitos os que estamos buscando ampliar nossa consciência, desde a galera mais mística e esotérica, quanto as mais racionais e céticas como eu. De qualquer forma, é bem possível que você também possa se identificar com essa tribo do autoconhecimento e dos que buscam transformar esse mundo para melhor, cada um da sua forma.

“Estamos sempre passando por momentos de mudança. A diferença dessa mudança de agora para as do tempos anteriores tem mais a ver com uma abertura do interior do que do exterior. É um despertar não de revoluções externas, mas de revoluções internas.”

Imagens: moviecriticsclub/culturaspopulares

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