Ciclo Menstrual

Existe cura para nossos medos?

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Nossos medos são profecias autorrealizáveis? Vivemos boa parte do tempo em sofrimento do que pode vir a acontecer.

Quanta energia a gente gasta a cada minuto no sofrimento do que pode vir a acontecer? O quanto deixamos de viver porque estamos na expectativa da próxima vez que vamos ser machucadas, humilhadas, fudidas pela vida? O quanto somos governadas, em boa parte, pela expectativa que a dor passada vai nos capturar no futuro novamente, de que a vida vai nos pregar algum truque cruel?…

Não sei o que fazer efetivamente sobre isso. A não ser rir da habilidade da nossa mente de construir toda uma história em cima de especulação pura e simples, e de como vamos alimentando isso como se fosse uma verdade, algumas vezes ao ponto de conseguir criar isso enquanto realidade.

Outro dia meu irmão me mandou uma frase e conversamos um pouco a respeito. Dizia algo como que as pessoas acham que o caminho para a iluminação é rumo a felicidade, quando na verdade a iluminação pouco tem a ver com a felicidade e muito tem a ver com destruição.

 

Iluminação é destruir tudo que pensamos ser a nossa identidade.
 

Acho que nunca senti tanto medo em publicar um texto na minha vida. Me sinto exposta, nua! Levei semanas para colocar esse conteúdo no ar, esperando ele cair no esquecimento, e eu parar de especular o aconteceria se isso caísse na rede. Bom, o mais provável é que não aconteça absolutamente nada.

Isso só fez sentido pra mim depois de tudo que passei em 2016, que me trouxe muitos aprendizados sobre o medo.

Estou aprendendo a abrir mão do medo do que as pessoas pensam sobre mim quando ele aparece, aprendi que não tenho o menor controle sobre isso, e sobre o que elas vão fazer sobre isso. E por isso, me enxergar com mais bom humor com o que não gosto sobre mim e sobre as minhas circunstâncias, e que rir de mim mesma é uma forma bem eficaz de lidar com as coisas que não posso controlar.

Estou aprendendo que eu provoco medo nas pessoas e que não importa o quão aberta e vulnerável eu me apresento pra elas, a grande maioria vai se assustar mesmo e sair correndo só por eu ser quem eu sou, e tudo bem. Eu vim com essa configuração introvertida com explosiva, e são poucas as pessoas que escolhem ficar bem perto de toda essa minha intensidade de sentir e ser.

Estou aprendendo que eu sei descobrir muito rápido sobre as contradições das pessoas, e talvez seja isso que as assuste sobre mim, porque eu consigo sacar o gap entre a superfície e a essência delas em pouco tempo, e muitas vezes sem perceber, esfregar isso na cara delas, e isso as faz desconfortáveis pra cacete. E isso me faz enxergar as minhas contradições e me sentir desconfortável pacas, e isso me fez entender que preciso cultivar mais compaixão.

Estou aprendendo o quanto eu alimento meu medos dos homens e a crença de que todos eles vão me ameaçar ou me machucar ou me abandonar algum dia. E me blindo de me conectar para não me deixar vulnerável a tirarem vantagem de mim, ou me usarem, ou me machucarem. E que isso não me serve e não serve ao mundo, e me fez ir atrás de reprogramar isso.

 

Estou aprendendo que eu tinha muitas noções de identidade própria pra revisar, e que muitas delas eu não queria nem olhar por medo. Mas colocá-las em cheque me trouxe um tanto de telas em branco e novas cores para explorar em muitas áreas da minha vida.
 

Estou aprendendo que eu não preciso ter medo de mais um crise de depressão, ansiedade ou de pânico. Não significa que falhei, fui fraca, ou não aprendi nada. Que toda situação que parece uma repetição, na verdade, me oferece a oportunidade de fazer uma nova escolha. E que em muitas ocasiões, essa nova escolha não significa dar um guinada de 180 graus pra mudar toda minha perspectiva. E sim que, na grande maioria das vezes, uma pequena mudança quase imperceptível de um grau apenas exige menor esforço, causa pouca ou nenhuma confusão, e já faz me afastar consideravelmente do ponto de origem do padrão de comportamento que tenho ou de situação que atraio.

Estou aprendendo não usar o medo para me comunicar com as pessoas, e sobre o poder da sutileza e da firmeza. Que me ouço mais quando grito menos, que posso ser mais ouvida quando falo menos. Que falar pra poucos que me ouvem mais tem muito valor. Que os silêncios podem ser bem efetivos pra demonstrar minhas convicções em muitas situações do que um monte de conversas. E que apenas uma frase dita com firmeza de valor pode ser mais poderosa que um discurso onde corro mais risco de me contradizer. Que ouvidos compassivos tem talvez mais poder que um conselho ou um sermão. Que dar uma risada num momento de autopiedade é um poderoso antídoto pra desarmar a síndrome de vítima, e que o bom humor usado com firmeza e num timing preciso tem mais poder de cura que muitas terapias e medicamentos e intervenções juntas.

Estou aprendendo que vou continuar com medo. Que muito possivelmente esses e outros medos que eu tenho (de não ser ouvida, de ser ignorada, de perder a cabeça, de repetir os mesmo erros, de falhar, de passar vergonha, de ser abandonada, de ser agredida, de ser assediada, de ser humilhada, de não ser suficiente, de não ser aceita, de não gostarem de mim, de não ser amada, dê não ter minhas necessidades atendidas, de sentir dor e sofrer, e tantos outros) vão estar sempre falando comigo como companhias constantes nessa vida, talvez com roupas diferente a cada década, trazendo o estilo daquela fase da vida, mas em essência aquele mais do mesmo.

Agora, com consciência desses e outros aprendizados, tenho uma escolha: vou agora, diante desse medo falando comigo, seguir o conselho dele de me retrair, ou vou seguir numa outra direção da que ele me indica? Não tem resposta certa. Tem momentos que vou ouvir meu medo e continuar fora da zona de risco e ficar empacada. Tem momentos que o medo me é útil pra me fazer refletir e dar um passo atrás pra saber que direção ir a seguir. Tem momentos que dou língua pro medo e ajo por impulso e levo uma baita lambada da vida. Tem momentos que minha intuição me dá uma certeza do que preciso fazer e minha coragem entra em campo e o medo não tem vez.

 

Só não dá pra viver numa vida de profecias, na expectativa constante de que cada medo que minha mente cria é um fato inescapável.
 

Claro que aqui não to falando dos perigos eminentes de sobrevivência. To falando dos medos das bagagens emocionais. Aquelas que criamos. E que, portanto, somos capazes de desprogramar aquele tal “carma” de que o mundo parece estar contra a gente, ou de que vida é só sofrimento, ou de que nossa existência é uma sucessão merdas.

Quando na verdade, o mundo somente está, a vida somente é, nossa existência somente é uma sucessão de acontecimentos. O que criamos a partir disso e com isso pode vir do medo ou do amor. E não importa. As lições que precisamos aprender serão aprendidas de uma das duas formas. Essa é a única profecia que é certa de se realizar.

 

[ENQUETE] Eu estou com medo. Com medo do que as pessoas são capazes de fazer quando estão com medo. Com medo do que as pessoas que estão com medo são capazes de fazer quando estão no ou em algum momento sentem que tem algum poder. Eu tenho medo quando damos poder ao medo. Desde as situações mais bárbaras como guerras, conflitos, descontroles da população, quanto as do dia a dia como um destrato ali, um barraco ali, uma trolagem acolá. Daí chegamos ao cerne da questão nosso medo da gente mesm@. Medo do somos capazes quando o sol se põe e estamos na escuridão da nossa mente quando as circunstâncias externas nos obrigam a encarar nosso estado interior. E vamos admitir, temos muitas sombras. E quanto menos visitamos nossa mente, mais elas se multiplicam como monstros. E quanto mais alimentamos nossa mente com comida de monstros (conteúdos e conversas), mais isso se faz presente na vida do lado de fora. E daí temos certeza que todas as pessoas são más de natureza. Sabe por quê? Porque temos maldade dentro. Tod@s temos. Porque tod@s temos medo, que é a semente de todos os comportamentos que causam o mal estar na sociedade. O que fazer quando o medo aterroriza a gente? Gostaria de saber de você o que você faz para lidar com seus medos e continuar em frente, tanto com seus medos mais íntimos quanto com o que está acontecendo no mundo #ameseporinteiro #nutriçãoalémdacomida #saudeintegrativa

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Imagem do topo: Pinterest im-albino.deviantart

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