Existe vida sem anticoncepcional?

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Há boas razões para tomarmos e para não tomarmos pílula. Mas é interessante enxergarmos além delas para fazermos uma escolha consciente.

Eu juro para você que jamais enxerguei minha vida sem anticoncepcional. E quando essa opção apareceu na minha frente, sinceramente, eu não sabia se meu medo era maior dos efeitos colaterais da pílula ou de como eu me sentiria se resolvesse parar de tomá-la. Não vou esconder nada para você: eu passei o inferno nos meses depois que parei de usar. 

Apesar das promessas de uma vida melhor do outro lado do túnel, passei um bom tempo sem ver a luz no seu fim. Agora posso afirmar categoricamente que tenho uma vida muito melhor sem anticoncepcional, e que apesar de ainda enfrentar alguns desafios e de escorregar muitas vezes no percurso, vou compartilhar aqui com vocês o que fui aprendendo nessa jornada e o que me ajuda nela.

Olhando para o meu passado, vejo que as três maiores razões pelas quais eu tomava pílula eram:

  • Evitar a acne: desde a adolescência sofro de uma acne insistente que arrasa com minha autoestima, e que foi quase resolvida com um “passo de mágica” com o uso do anticoncepcional. Mesmo usando ele, minha autoestima não melhorou,

e me dei conta de que o que estava por trás do apego ao remédio era o medo do julgamento e da rejeição, por causa da minha aparência de “feia descuidada”.

  • Evitar a gravidez: desde antes do sexo aparecer na minha vida, tinha um pânico profundo de engravidar sem querer. A pílula veio para me deixar mais tranquila e poder fazer sexo com que e quando quisesse, sem esse fantasma de assustando. Mas cada vez que eu esquecia de tomar, ou que a camisinha não parecia confiável, ou que eu não estava muito segura com quem estava fazendo sexo, esse medo da graidez vinha com força. Ou seja, a pílula não me livrou na paranóia, ela a reforçava todo dia quando a colocava na boca. 

Me dei conta que por trás do apego ao remédio estava o medo de perder o controle e de não atender as expectativas das pessoas do que eu poderia realizar na minha vida.

  • Ganhar controle sobre a minha menstruação: eu sempre achei menstruar um saco, um festival de sintomas incômodos, e não via sentido nenhum para isso acontecer todo mês. Quando descobri que poderia adiar menstruação se eu queria ir para a praia, ou viajar, ou por causa de uma festa ou de um carinha, ou ainda, que eu poderia não menstruar tomando uma cartela atrás da outra, achei o máximo. Depois de alguns meses de “paraíso”, logo os escapes e as crises de enxaqueca começaram a acontecer. Ou seja, o anticoncepcional não me deu controle de verdade sobre meu corpo, e 

me dei conta de o que estava por trás do apego ao remédio era o medo de perder minha liberdade e de não poder ter um estilo de vida mais reto “como de um homem”.  


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ão vou te dizer que curei minha acne, mas estou cada vez mais próxima de fazer as pazes com ela e de não me deixar se dominada pelo meu medo de rejeição. Continuo não sendo totalmente imune a uma gravidez indesejada, mas tenho a cada dia ficado mais em paz com o fato de que não controlo completamente as circunstâncias da minha vida e nem o que as pessoas pensam de mim. Não controlo a minha menstruação, mas tenho me sentido cada dia mais livre com meu jeito de ser de mulher.

Hoje enxergo que, mesmo quando o anticoncepcional não causava nenhum sintoma físico, ele  reforçava muitos de meus medos e inseguranças. É por isso que sei que quando temos informações e apoio podemos fazer uma opção mais consciente, sem ficar refém de nada, e ficar em paz consigo mesma.

Hoje são diversas as ferramentas que uso para viver sem pílula, em um mundo que continua tentando me convencer de que preciso dela: 

estou ajustando minha alimentação e estilo de vida, aprendendo como administrar minha fertilidade, resgatando minha energia feminina, e, mais que tudo, a minha capacidade de ouvir meu coração de mulher para poder fazer a melhor escolha neste momento. E ele tem escolhido viver sem pílula.

Respondendo à pergunta do título, não é apenas possível, como é muito mais confortável e interessante ter uma vida sem anticoncepcional. Não apenas porque muitos dos sintomas que me faziam sofrer desapareceram, como agora estou tendo a oportunidade de usar muitas capacidades que só desabrocharam porque vivo todas as etapas do meu ciclo menstrual, incluindo minha intuição e habilidade de enxergar muito além. 

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Imagem: bountifulbreast.com

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