Nosso bullying interior de cada dia

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 3 caminhos para levantar a autoestima de vez

Feia. Estúpida. Burra. Idiota. Louca.  Eu sofri bullying a vida inteira. Tem uma pessoa, em especial, que me persegue a vida inteira, e não cansa de me chamar dos nomes mais horríveis e parece que tem como missão de vida acabar com minha autoestima.

Aposto que você também teve ou tem uma pessoa que arrasa com você o tempo todo. Parece até que ela sabe o dia que você não está se sentindo muito bem e aproveita para te atacar sem nenhuma consideração.

Já parou para pensar que essa pessoa é a gente mesma? Já reparou que muitas de nós temos uma mania perversa de repetir esses insultos, seja silenciosamente por dentro, ou socialmente, na frente de todo mundo?

Se nossa pior inimiga mora na nossa caixola, como vamos parar essa agressão constante?

Vamos pensar em uma situação comum. Pense que mesmo eu sabendo que açúcar não me faz bem, decidi comer sobremesa por vários dias seguidos, feliz da vida, sem pensar no dia de amanhã (e isso acontece mesmo). A culpa pode ser a primeira a chegar, com a primeira chibata me dizendo “você não deveria estar fazendo isso, sua idiota”. A possibilidade de ser desmascarada sobre meu erro vem logo depois dizendo “sua burra, como você pode ser coach de saúde e comer açúcar. Todos vão saber que você é uma fraude”. Daí, um pouco depois vem as consequências no meu corpo “Você merece ficar feia cheia de espinha na cara porque comeu doces”. Fico triste, e caio de boca em mais doce, tentando anestesiar esse sofrimento que só cresce dentro de mim. “É muita estúpida mesmo, faz mais merda mesmo quando sabe que vai só piorar a situação”. Aí venho aqui no blog e conto para todo mundo o que acontece nesses bastidores “Ficou louca, Melissa, você vai destruir sua saúde e sua carreira ao mesmo tempo fazendo isso”.

Olha o círculo vicioso cruel: eu faço alguma coisa que considero (ou que consideram)  errada, feia, inapropriada, sem noção. Chega então o desapontamento, a decepção, a frustração, a raiva, com seu chicote prontinho para me bater no meu momento mais vulnerável. Me espanco com a palavras e comportamentos mais cruéis, cada dia um pouco mais. E é assim a receita para uma perfeita auto-estima praticamente inexistente.

A gente se acostumou a treinar todo dia esse péssimo hábito de nos menosprezar, nos diminuir, nos xingar.

Então podemos também treinar diariamente um ótimo hábito: o de nutrir nossa autoestima.

Tem algumas estratégias que uso que me ajudam muito, e às minhas clientes:

  • Afirmações: repetir frases que ajudam a entrar em contato seu  lado positivo, com sua luz interior, que te inspiram a ser sua melhor versão. Elas nem sempre funcionam quando as repetimos no meio de uma crise de autoestima zero. Mas podemos fazer uma pequena preparação antes que vai transformar completamente o poder que ela pode ter: fazer antes alguma atividade que encha o coração de alegria, a mente de leveza, e faça os olhos brilharem. Pode ser brincar com os filhos, estar com animais ou plantas, ler um texto inspirador, meditar/orar/rezar, trocar umas palavrinhas com aquela pessoa especial, fazer algum tipo de arte (mesmo que você não tenha nenhuma técnica, ouvir música que toca a alma, escrever, e por aí vai. É com essa energia conectada que você vai, não apenas ter um dia muito melhor, mas vai exponenciar a capacidade dessa afirmação transformar sua autoestima. Você pode escrever sua própria afirmação. Ou pode começar com essa que sugiro aqui:

“Eu me amo mais a cada dia. Eu me trato com gentileza e respeito”.

  • Contra-fatos: uma amiga minha me ensinou essa técnica de PNL (Programação Neuro-linguística) que é um pequeno exercício de observação, que consiste em a gente se pegar na mentira que a gente conta pra gente mesma, aquela “verdade absoluta” que fomos construindo por mera repetição ao longo do tempo. Vou dar um exemplo simples que muitas de nós tem em comum: “Eu não sou disciplinada. Preciso de mais disciplina para __________ (perder peso, comer melhor, estudar, organizar minha bagunça, etc etc etc)”.  No caso dessa minha amiga, ela percebeu que ela é disciplinada como um monge que acorda todos os dias 5 da manhã para rezar quando se trata de estar em dia com as suas séries de TV favoritas. Portanto, observando com cuidado e intenção, tenho certeza que você pode encontrar contra-fatos para quaisquer dessas palavrinhas cruéis que você costuma usar com você mesma. Dialogue com seu próprio ego, provando por A + B que ele tem estado bem errado a seu respeito.

 

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  • Autonomia: não dependa de ninguém para aumentar sua autoestima. Não vou negar que é ótimo ter o ego massageado por alguém te chamando de bonita, inteligente, incrível, a rainha da cocada preta. Mas no minutinho em que não há ninguém jogando confete, nossa autoestima cai vertiginosamente. Elogios são como drogas para o ego. Não quero dizer que não podemos ficar felizes com eles, pelo contrário, pois normalmente gente com autoestima baixa tende a não gostar de receber elogios, ou de menosprezá-los e anulá-los. Mas não podemos depender dos elogios como fonte exclusiva de nutrição da nossa autoestima. Assim como a comida do corpo, somos as principais responsáveis por alimentar nossa autoimagem da melhor maneira possível. Reconhecer no que você é talentosa, faz com naturalidade e facilidade, e o impacto positivo que tem por onde passa é uma ótima forma de começar a ver seu verdadeiro valor.

Não prometo que seu ego nunca mais vai tentar te sabotar, mas prometo que a autocompaixão vai estar mais a postos para entrar em cena, e a mania de ficar se tratando mal vai ficando menos frequente e menos destrutiva, e o amor próprio vai ganhar ganhar cada vez mais batalhas.

Aqui neste vídeo você vai ver a Gisela Cochrane Rao falando dos quatro hábitos mais venenosos para nossa autoestima.

 

Imagem: upwave.com / hercampus.com

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