O que seus sintomas querem te mostrar

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3 estratégias simples para encontrar as causas dos sintomas que mais te incomodam.

Antes da minha vida de coach de saúde, eu costumava acordar muito no meio da noite, normalmente por volta das 3 da manhã. Era uma fenômeno estranho para mim, como meu corpo sabia a hora exata no relógio, independente da hora que eu tinha ido para a cama. De domingo para segunda agora aconteceu a mesma coisa.

A diferença é que dessa vez eu sabia exatamente o que estava acontecendo. Anos atrás meu acupunturista me explicou que cada sistema do nosso corpo tem um ciclo circadiano, além do que mais estamos atentos, que é o do sono. Nesse meu caso, o do fígado era o envolvido. Segundo a medicina tradicional chinesa, ele termina por volta das 3 da manhã. E a causa do meu despertar a essa hora foi o vinho que tomei no almoço.

Quando eu não sabia dessa informação, eu simplesmente achava que tinha que tratar meu sono, e o que me parecia a ferramenta mais adequada para tratar disso era qualquer remedinho de grife para me fazer apagar. Nada de errado em querer parar de sofrer. Muito pelo contrário. Foi por este motivo simples que hoje sei de tanta coisa sobre saúde e alimentação.

Mas não é muito mais inteligente ficar tapando o sol de um desequilíbrio sistêmico com a peneira da pílula “mágica”, ou seja, tentar fazer o sintoma desaparecer sem ter noção do que pode ser a causa. Justamente porque essa causa pode também estar causando outros sintomas aparentemente sem conexão.

Na maior parte dos casos, um sintoma persistente é apenas a ponta de um enorme iceberg existente por anos no organismo, que começou com um sintoma sutil.

iceberg

Se a gente for um pouco mais fundo no que está por trás daquele sintoma, podemos encontrar não apenas a causa desse, como também de vários outros sintomas.

No meu caso, acordar 3 da manhã, com a acne persistente, com enxaquecas, entre outras coisas por décadas me disseram que meu fígado não estava muito feliz como eu andava tratando ele, comendo muita junk food, bebendo álcool, tomando anticoncepcional e outros medicamentos, entre outras coisas.

Se um sintoma persiste, isso quer dizer que seu corpo está tentando te avisar do que ele precisa. Só que a maioria de nós não aprendeu direito a ler a linguagem do próprio corpo, e fica arrastando os sintomas incômodos por anos achando que sofrer faz parte (né, mulherada de TPM?), ou se entope de medicamento  para conseguir passar os dias (muitas vezes sem perceber), ou fica pulando de tratamento em tratamento sem muita melhora, ou até consegue minimizar ou fazer desaparecer os sintomas às custas de muitos medicamentos.

Por isso é fundamental que a gente se torne uma especialista na gente mesma, que aprendamos a traduzir os sinais que nosso corpo nos manda a todo momento, desde os mais sutis, como aquele soninho depois do almoço que pode indicar uma intolerância alimentar, até os mais evidentes como dores incapacitantes, que podem indicar doenças graves. Quando a gente se conhece profundamente, podemos inclusive ajudar os profissionais médicos e de saúde holística no diagnóstico e curso de tratamento.

Aprender como observar nossa bioindividualidade é a atitude mais poderosa que podemos tomar sobre nossa saúde. Isso vai além da prevenção de doenças, é o cultivo do bem-estar, que é o estado natural do seu humano.

reiki

Parar um pouco, prestar atenção em quais são as características daquele sintoma, o que fez nas horas ou dias antes dele aparecer, pode nos ajudar a encontrar as respostas.

Você pode começar esse processo agora mesmo, sem nem ter que fazer mudança nenhuma radical no seu estilo de vida atual, seguindo esses três passos:

  1. Observe-se como se sente depois de comer. Logo depois de terminar, e duas horas depois. Anotando e relendo depois conseguimos começar a identificar padrões de mal-estares como azia, má digestão e gases, falta de disposição e fadiga, dores de cabeça e enxaqueca, reações na pele e rinite alérgica. O que comemos tem relação direta tanto nos sintomas imediatos quanto nos que já sentimos há muito tempo.
  2. Não mascare sintomas corriqueiros imediatamente com medicamentos. Antes disso, comece a observar as características, pois dores e outros sintomas podem mudar sutilmente, e isso ajuda a identificar as causas, inclusive de doenças mais complexas. Anote e releia, e leve suas observações para os profissionais de saúde, para identificar padrões repetitivos e/ou acontecimentos anteriores que podem te levado ou causado o sintoma, inclusive as questões emocionais, que claramente podem criar ou exacerbar sintomas.
  3. O seu corpo não está contra você. Sintomas físicos são apenas uma linguagem que o corpo usa para falar conosco que precisa de atenção. É igual a um bebê chorando. Ele não sabe usar palavras, por isso usar o choro para comunicar que sua fralda precisar ser trocada ou que precisa comer. A mesma coisa com seu corpo: seus sintomas não são necessariamente uma reclamação, são apenas uma mensagem. É claro que se ignoramos essa mensagem, ela vai ficando cada vez mais estridente. Então, é bem mais simples quando atendemos de imediato o pedido do corpo. Tem menos choro, menos drama, menos sofrimento. Se já sabe que um determinado alimento ou comportamento causam sintomas desagradáveis, comece pouco a pouco a retirar essa causa do seu dia-a-dia.

Lembre-se: Você não precisa de conserto! Não há nada de errado com você, mesmo que você esteja doente. Afinal de contas, se o estado natural do organismo é o bem-estar, os sintomas são apenas pistas a seguir para voltarmos a esse estado. Precisamos apenas virar detetives mais atentas e gentis conosco mesma. A dor muitas vezes já alivia bastante simplesmente por aceitarmos os sintomas como parte natural da existência humana.

Confie mais na sua capacidade de interpretar suas reações físicas e aprenda cada dia mais sobre as diversas formas que o corpo tem para falar conosco. Afinal de contas, você já é a melhor especialista em si mesma que existe!

Reflexão da semana: Quais os sintomas que mais te incomodam atualmente ou que te atormentam há algum tempo e que você ainda não conseguiu encontrar uma solução efetiva?

Ação da semana: Com as respostas da pergunta acima, crie um diário (que pode ser de papel, online ou no seu smartphone) e coloque em prática os três passos explicados no post. Compartilhe suas descobertas comigo ou que um profissional de saúde de sua confiança para conseguir entender melhor quais são os passos necessários para minimizar ou curar os sintomas e suas causas, e ter suporte para colocar tudo isso em prática.

Inspiração da semana: Muitas vezes a gente já está há tanto tempo sofrendo com um sintoma ou uma doença, tão frustrada e cansada, achando que ninguém pode nos ajudar, que precisamos de uma motivação extra para continuar em frente. A música sempre tocou meu coração em momentos assim. Espero que o Renato Russo possa ser essa dose de esperança para você hoje.

“…Mas eu sei que um dia
A gente aprende

Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo

Quem acredita
Sempre alcança

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem…”

Imagem: babymed.com/scubadiving.com/oshonews.com

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