Os Fantasminhas Camaradas da Alimentação

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Venho falando no blog nos últimos posts sobre emagrecer, inflamação crônica no organismo, regras de como comer saudável, e quanto mais eu penso, leio e estudo sobre o assunto, percebo que um fantasminha fica sempre rondando o assunto e ele vem vestido de branco. Sei que você o conhece muito bem e que não precisa de apresentações formais, mas como bom fantasma, ele consegue se esconder direitinho na comida e se disfarçar de coisas gostosas: as comidas branquinhas e refinadas.

Açúcar, trigo, arroz branco, batatas são parte da turminha que assombra o organismo de praticamente todo mundo hoje em dia, causando terror por onde passa, deixando nossas células em pânico e provocando reações de espanto do nosso pâncreas. E não estou exagerando para fazer o texto ficar engraçadinho :).

O mecanismo é muito simples. Tudo que comemos é garimpado pelo nosso sistema digestório para conseguir algo extremamente valioso: glicose. Nosso cérebro é o principal consumidor dessa joia, que é pura energia. Quando comemos algo branco/refinado, estamos fornecendo praticamente glicose pura, sem fibras, sem nutrientes, sem proteínas e gorduras essenciais. Ou seja, essa glicose vai direto pra corrente sanguínea. Quando o cérebro detecta essa enxurrada de glicose de uma vez, ele fica louquinho e pensa “não sei quando será a próxima vez que vou ficar rico assim, então vamos guardar tudo que puder”, e aciona o pâncreas, que processa tudo isso com a insulina.

Imagine que isso tudo acontece TODAS AS VEZES que você coloca qualquer desses ingredientes em sua boca. Ou seja, o corpo fica em estado de emergência quase que constantemente, uma vez que nossa dieta típica de brasileiro tem no cardápio pão, arroz, macarrão, batata frita, sobremesa, biscoito, no café-da-manhã, no almoço, no lanche, na janta. Já deu pra entender que algo pode dar muito errado quando sobrecarregamos nosso corpo assim, não é mesmo?

E realmente dá. Desde a década de 60/70, quando passamos a consumir mais alimentos industrializados, e, portanto, refinados, e os índices de diabetes, doenças cardíacas, cânceres, doenças autoimunes, entre outras condições nem tão graves assim, aumentaram assutadoramente. As duas coisas estão intimamente ligadas.

Por isso recomendo uma dieta. Ela serve para qualquer idade, sexo, peso, gosto e estilo de vida: a No-white-stuff Diet. Você, basicamente, apenas para de comer comidas que contém ingredientes brancos, como açúcar , trigo refinado, arroz branco e batata.

Veja abaixo algumas dicas para ajudar na hora de escolher o que comer:

  • Açúcar: não se engane com o mascavo, que apenas está disfarçado de mais escurinho. Se optar pela cana-de-açúcar, vá de rapadura ralada, ou melado. O bom e velho mel de abelha silvestre também é outra ótima opção. As novidades no mercado são a stévia (o extrato da folha, não a versão refinada), o xarope de agave (procure o não refinado) e o xilitol. Outras opções com sabores interessates são os xaropes de arroz integral e de bordo (maple).
  • Trigo:  Atenção na lista de ingredientes, pois tem muitos pães integrais por aí com trigo refinado. Na hora do macarrão, escolha a versão integral, que, te juro, não faz diferença nenhuma no gosto, e aproveite para experimentar de outros grãos como quinoa e arroz integral. Não se engane com os biscoitos disfarçados de saudáveis, que tem em sua composição açúcar e trigo refinado.
  • Arroz: Se você é daquelas pessoas que torcem o nariz para o integral, comece a substituir aos poucos misturando no prato com o branco, e aumentando a proporção à medida que for se acostumando. Depois disso, você vai até achar arroz branco algo muito sem graça.
  • Batata: use outras raízes mais nutritivas, como batata-doce, mandioca, inhame, batata-baroa ou até mesmo cenoura no lugar. Além de mais sabor, eles vão ajudar você a diminuir os desejos por doces!

Veja bem, não estou dizendo que você tem que virar uma obsessiva “caça-fantasmas” e que nunca mais você vai colocar nada dessas coisas na boca, pois dessa forma, nossa vida social correria o risco de desaparecer, já que, em nosso convívio diário, continuaremos a nos deparar com essas comidas. Meu ponto é você ficar mais consciente de cada uma de suas escolhas, pois com um pouquinho de planejamento e paciência consigo mesma, essa “dieta” pode se transformar de algo aparentemente restritivo para um novo universo de muitas opções deliciosas.

Se você já se arrepia toda de medo só de ouvir sobre restrições na hora de comer, sugiro que você leia o artigo sobre a metodologia do Crowding Out, ou Congestionamento de Opções, clicando aqui.

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Aqui temos 3 comentários. Adicionar.

  1. Adorei! mandei meus comentários lá no grupo de FB, mas já coloquei no favorito e virei sempre.

    • Paula, que honra receber sua visita. A casa está sempre aberta, venha sempre! :*

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