Páginas viradas – O que essas mulheres têm em comum?

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A fórmula parecia perfeita: um dos maiores sucessos literários dos últimos anos, que, com mais de 4 milhões de cópias vendidas, tornou-se livro de cabeceira de mulheres no mundo todo e incentivou-as a viajar pelo mundo, foi adaptado para a telona e protagonizado por Julia Roberts, uma das maiores – senão a maior – estrela de cinema da atualidade. Um texto tão inspirador que levou estas duas capixabas à direita da página, Melissa Setubal e Daniela Martins, a arriscar uma jornada semelhante à da escritora em questão. “Comer, Rezar e Amar”, que chega hoje às salas do Estado, leva para os cinemas a história do livro de memórias da escritora Elizabeth “Liz” Gilbert, que, aos 32 anos, e infeliz no casamento, divorcia-se do marido e parte em uma busca pelo autoconhecimento na Itália, onde se esbalda em delícias e aproveita a vida (Comer), na Índia, país em que encontra espiritualidade (Rezar), e na Indonésia, onde encontra um novo amor (Amar).

Mesmo com Julia Roberts interpretando Liz, e contando ainda com um respeitável elenco de apoio – Billy Crudrup, Javier Bardem e James Franco -, o filme não conseguiu acompanhar o tamanho sucesso do livro, pelo menos nos Estados Unidos. Apesar de toda a expectativa, estreou atrás do descartável “Os Mercenários” nas bilheterias, e lutou muito para empatar seu custo de produção, estimado em US$ 60 milhões. Nada gentis com o filme, críticos do mundo todo diminuíram a obra por não ter conseguido transpor para o cinema tudo aquilo que fez do livro um sucesso. A obra literária dialoga diretamente com o leitor, tornando-o, assim, íntimo da personagem principal, de seus dramas e de suas conquistas.

Sorriso de Monalisa
Ao romantizar e terceirizar a narrativa, o filme não altera o conteúdo do livro, mas nem o sorriso irresistível de Julia Roberts parece ter sido capaz de convencer o público de que aquilo é realmente uma história real, que poderia ter feito parte da vida de qualquer um. Trocando em miúdos, o material original perdeu sua maior força.

Ainda, a forma como o relacionamento de Liz e os personagens de Crudup e Franco – dois bons atores em atuações medíocres – é retratada faz com que a dor de deixá-los para trás não seja significativa para a protagonista. Na verdade, faz o espectador pensar por que ela não o fez antes.

Para completar, a imprensa italiana acusou o filme de mostrar a Itália e os italianos de maneira caricata. “Chove espaguete, os italianos estão sempre gesticulando e seguindo garotas estrangeiras, gritando vulgaridade e depois ficando noivos de uma simpática dona de casa para agradar às suas mães dominadoras”, escreveu o crítico da “La Repúblicca”, Curzio Maltese.

Para os fãs do livro, fica fácil a imersão no filme e a identificação com ele. Quem não leu, porém, não verá na tela a Liz original, mas uma personagem reclamona, que aparenta ter tudo, mas resolve se aventurar para satisfazer o ego. Por fim, a escolha dessa “lente”, azul ou cinza, fica a cargo do espectador.

Best-seller: estreia nos cinemas “Comer, Rezar, Amar”, que convida você para uma viagem de autoconhecimento

Quem é quem

Liz Gilbert (Julia Roberts) A protagonista do filme é uma mulher que, aos 32 anos, divorcia-se e parte para a jornada de autoconhecimento que resultaria no famoso best-seller.

Stephen (Billy crudup) O (ex)marido de Liz, com quem ela trava um doloroso processo de divórcio.

David Piccolo (James Franco) Jovem ator italiano com quem Liz se relaciona após o término do casamento.

Felipe (Javier Bardem) Empresário brasileiro, nos braços de quem Liz reencontra o amor durante sua passagem por Bali.

Richard (Richard Jenkins) Texano com quem Liz divide alguns dos melhores diálogos do filme em sua busca pela religiosidade na Índia.

Delia (viola Davis) Agente literária e amiga de Liz, é nela em que a protagonista se apoia durante o duro processo de divórcio.

New York, New York

Um ano sabático – Melissa Setubal

“Comer, Rezar, Amar” surgiu em minha vida por sugestão de uma amiga, numa época em que comecei a questionar meu estilo de vida estressante e muito focado no trabalho. Como Liz, passei por um período com muitos problemas de saúde, físicos e mentais, e, ao me recuperar, percebi que a forma como estava levando a minha vida não me servia mais. Decidi, finalmente, realizar o sonho de morar no exterior e fazer uma espécie de “ano sabático”. Pedi demissão e larguei tudo que fazia para passar nove meses viajando, com o propósito de entrar em contato com minha própria essência. Pela primeira vez na minha vida, me permiti viver a vida sem planejamentos e sem ficar controlando cada passo que dava. E, sem perceber, acabei seguindo passos parecidos com os de Liz no livro/filme. Por sugestão de uma amiga, fomos para Nova York para passar uns meses, e também fui à Itália e à Espanha, e foi quando me entreguei à parte do “Comer”. Definitivamente, esses lugares são perfeitos para uma missão como essa. Foi voltando para Nova York novamente, onde pude me aprofundar no “Rezar”, com muita ioga e meditação. Até parece um paradoxo ir para a maior e mais agitada cidade do mundo para conseguir saúde e serenidade, mas foi onde encontrei as pessoas que me ajudaram nesse propósito. E onde encontrei, como consequência desse novo estilo de vida, a minha nova carreira, como “Coach de Saúde Integrativa”. Depois de um ano e meio de aventuras, voltei para Vila Velha para a parte do “Amar”, retornando para o amor de minha família e amigos e, quem sabe, para um amor brasileiro como o da Liz.

 

Fortes mudanças – Daniela Martins

Levei algum tempo para convencer-me a ler “Comer, rezar, amar”. Ganhei o livro de presente de uma amiga que disse tê-lo achado “a minha cara”, mas confesso que o argumento não me foi válido. Tenho um certo preconceito com best-sellers e aquele adesivo chamativo na capa “Mais de 4 milhões de exemplares vendidos” mais me repelia do que me atraía à leitura. Mas eis que num sábado qualquer resolvi ler as primeiras páginas só mesmo para saber do que se tratava o tal livro que tantas pessoas já me haviam recomendado. Para minha surpresa, comecei a ler e não consegui parar. Literalmente. Fiquei completamente envolvida com a jornada da autora e também com a forma agradabilíssima como ela escreve. Mais do que isso: identifiquei-me com suas experiências e suas descobertas. Suas reflexões sobre a vida, o amor, prazeres e desgostos… Tudo isso fez-me questionar minha própria vida e minhas tantas incertezas. Para completar, viajar é um dos meus vícios e já me vi muitas vezes em situações parecidas com as quais Liz se deparou. Ao mesmo tempo em que me surpreendo ao conhecer lugares e culturas alheios, eu também me coloco inteiramente aberta ao que estes têm a me ensinar. Nunca viajei determinada em buscar algo específico, mas diria que é sempre inevitável ver-me transformada após cada uma de minhas viagens. Entre os lugares pelos quais Liz passou, eu já conhecia Índia e Roma. Não tive tempo de apaixonar-me pela capital italiana, mas na Índia vivi um ano fantástico. E claro que fiquei cheia de vontade de conhecer também a Indonésia. Agora vem aí o filme. Quero muito ver, mas diria que não estou muito confiante de que este irá encantar-me tanto quanto o livro. Afinal, eu também tenho um certo preconceito com adaptações ao cinema de livros de que gosto muito. Mas quem sabe eu, mais uma vez, me surpreenda?

Fonte: Jornal A Gazeta

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