Na mídia

Pílula Anticoncepcional: usar ou não usar?

Share this:

Como fazer uma escolha consciente sobre este dilema sem o medo de engravidar te atrapalhar

Nós mulheres estamos vivendo no meio de um verdadeiro dilema: usar ou não usar o anticoncepcional hormonal? A queridinha da emancipação e do empoderamento feminino, a pílula é também tem sido um dos maiores problemas causados à saúde física e mental da mulher nas últimas décadas.

A lista de efeitos colaterais cresce cada dia mais. Não estou nem falando apenas dos trágicos que vemos nos noticiários, como os casos em que a mulher sofre um AVC, câncer ou trombose. Mas também aumento do apetite, depressão e ansiedade, enxaqueca, insônia, infestação crônica de Cândida, problemas de libido, entre vários outros.

Calma que não vou ficar aqui jogando pedra nos avanços da medicina moderna, sobre voltarmos aos tempos das cavernas, ou te julgar se você vai pro céu ou pro inferno ao usar pílula.

Quero conversar aqui sobre poder de escolha. Eu acredito que somente temos verdadeira liberdade de decidir o que é melhor para nós quando temos informações suficientes de vários pontos de vista sobre um assunto. E sobre o uso ou não do anticoncepcional, eu penso o mesmo. Até porque, durante muitas décadas e até os dias de hoje, esse medicamento é oferecido pra gente como se não fosse nada demais.

E é. No meu ponto de vista, algo não é seguro quando pode colocar a vida de uma pessoa em risco. E algo não é eficiente quando pode te livrar de um sintoma ou consequência e trazer vários outros.

Existem muitas nuances nessa história que a grande maioria de nós está alheia, e temos a falsa sensação de liberdade porque uma solução mágica promete uma vida livre da preocupação da gravidez indesejada. Talvez esse seja um dos maiores medos que constroem em nós mulheres desde antes da adolescência.

A todo momento recebo mensagens de clientes, leitoras e seguidoras me perguntando: “Mas que opção eu tenho? Pílula é a única coisa que me oferecem…” O anticoncepcional hormonal é vendido como a solução segura para evitar que nossa vida seja “destruída” por uma noite de sexo que resulta na fecundação de um óvulo.

Muitas de nós mulheres crescemos ouvindo o mito do “posso engravidar a qualquer momento”. Vamos entender melhor isso: a mulher somente é fértil durante, no máximo, 5 dias por ciclo, podendo acontecer uma concepção durante seus 4 dias da fase ovulatória e no primeiro dia da fase luteal (pré-menstrual). Mesmo assim, fazer sexo quando se está ovulando não significa engravidar com certeza (há estatísticas que falam de 33% de chance apenas!).

Penso ser muito importante desconstruir também o mito de que os anticoncepcionais são os métodos mais seguros contra a gravidez indesejada. Os dados que nos são fornecidos sobre a sua eficácia contraceptiva, são normalmente os do chamado “uso perfeito”. 1 entre 100 mulheres ficam grávidas fazendo esse “uso perfeito” da pílula oral.

Mas sabemos bem que na maioria das vezes nem a mocinha mais perfeitinha e CDF consegue fazer o uso ideal. Seja porque nos esquecemos de tomar um dia, porque não tomamos no mesmo horário todos os dias, porque mudamos de marca, porque tivemos vômito/diarréia, porque tomamos outro medicamento e não sabíamos que interagia com o anticoncepcional.

9 entre 100 mulheres engravidam usando pílula quando ocorrem essas e outras coisas que atrapalham a ação dos hormônios artificiais.

O anel e o adesivo transdérmico também tem eficácia de 9%, como a pílula. A injeção tem eficácia de 6%. O implante tem uma taxa de sucesso maior, porém provoca uma exposição maior aos hormônios artificiais, e assim como o DIU de progesterona, se trata de um método bem mais invasivo, que pode ter a eficácia comprometida com uso de medicamentos para tratamento de cândida, psiquiátricos, e alguns fitoterápicos, entre outros.

Antes de qualquer coisa, é preciso refletir o fato de que ao usar métodos hormonais estamos necessariamente trocando diminuir o risco de uma gravidez (perceba que não disse evitar nem garantir) por uma série de efeitos colaterais. Podemos ter consciência ou não deles, mas seu uso comumente causa algum tipo de impacto no nosso organismo e comportamento.

O anticoncepcional não nos dá controle de verdade sobre nosso corpo e nossa fertilidade. O que convido você neste momento é a reflexão para perceber o que está por trás do apego ao remédio. Para muitas de nós, por exemplo, pode ser o medo de perder a liberdade de transar e de menstruar quando quiser. Pode ser que por trás do apego ao remédio, esteja o medo de perder o controle e de não atender as expectativas das pessoas do que podem realizar na vida.

Acho que agora eu te devo meu útero.

Decisões como esta estão carregadas de influências socioculturais e econômicas, de medos e desconhecimento, do tipo de suporte que buscamos e recebemos, como também dos sintomas físicos e mentais que sofremos que nos levam a começar, continuar, e temer parar de usar o anticoncepcional.

A gente não sabe, mas aquele momento em que fica decidido que vamos começar a usar o anticoncepcional hormonal governa muitas decisões comportamentos importantes na nossa vida depois. Fica gravado no nosso cérebro que somente ficaremos longe de uma encrenca de engravidar sem querer enquanto tomarmos essa pílula mágica.

Então, vamos refletir mais sobre isso. Perceba que nos são vendidos os benefícios que vão no alvo de alguns dos nossos medos mais profundos. Somos filhas e netas de uma gravidez não esperada. Ao usar essa ferramenta para não passar por essa situação que elas passaram, ganhamos de bônus paz de espírito de não correr risco de virar mãe sem querer.

E lembrando sempre: anticoncepcional NÃO previne doenças sexualmente transmissíveis, e somente a abstinência de sexo é o método 100% garantido de prevenção de gravidez.

Ou seja, além dos anticoncepcionais hormonais não serem nunca 100% eficazes, eles também não lidam com questões ainda mais profundas: Por que temos tanto medo de engravidar “fora de hora”? Por que fomos programadas a confiar num medicamento que pode nos causar tantos problemas de saúde? Por que não fomos ensinadas a entender como nossa fertilidade realmente funciona? Por que usamos hormônios artificiais diariamente se somente somos férteis 5 dias por ciclo? E mais que tudo: por que a prevenção da gravidez é entendida como uma maior responsabilidade da mulher, e não igualmente das duas pessoas que fizeram sexo?

A pergunta fundamental aqui é: quando você decide usar ou continuar usando anticoncepcional hormonal, você realmente está fazendo uma escolha consciente ou está fazendo uma escolha baseada no medo?

Para que o medo não governe mais as suas escolhas de contracepção, você pode usar estes 3 passos:

1. Busque informações e técnicas de gerenciamento da fertilidade

Estude, pesquise, vá em busca de várias fontes de informação, expanda sua consciência sobre suas opções e necessidades. Existem muitas formas não hormonais de contracepção eficientes. A associação de várias delas pode ser uma boa forma de você gerenciar o medo de engravidar. Algumas delas são as camisinhas (masculina e feminina), DIU de cobre, métodos de percepção da fertilidade (FAM, Billings, sintotermal), diafragma, entre outros. Infelizmente, muitas vezes não são médica/os quem vão te auxiliar nesta pesquisa (mas felizmente existem as ginecologistas feministas ou naturalistas e outras profissionais de saúde que podem). Nós somos as protagonistas desta história, e incentivo buscarmos profissionais e fontes qualificadas e com pontos de vista além da medicamentalização.

2. Use o feminismo para questionar

Muito do que pensamos sobre a pílula e o medo de engravidar vem de uma programação imposta pela sociedade dentro de nós. O feminismo e seus questionamentos e quebras de paradigmas podem ser uma porta de entrada para o entendimento sobre nossas bagagens mentais/emocionais sobre o que é ser mulher, nosso corpo, nosso jeito de operar no mundo, e nosso papel na sociedade. Com mais consciência sobre tudo isso, podemos reprogramar esses medos que nos assombram, e não apenas ficarmos mais tranqüilas sobre gerenciar nossa fertilidade e a vontade ou não de procriar neste momento da vida, como também tomarmos as rédeas sobre os cuidados com a nossa saúde e com a nossa vida como um todo. Converse com mais mulheres sobre o assunto e amplie a sua visão sobre isso.

3. Lembre que a fertilidade é uma responsabilidade do casal

Não deixe todo o peso sobre esse gerenciamento em você! Você não tem que carregar essa angústia sozinha. A primeira pessoa com quem você deve estabelecer diálogo sobre o assunto é o homem com quem você vai transar. Se é marido, namorado, parceiro numa relação estabelecida, é muito importante que esse assunto seja parte do diálogo de vocês a cada momento da relação. Se é sexo casual, tenha já algumas frases preparadas para como você pode trazer o assunto à tona. Lembrando que em nenhuma das situações vamos deixar pra conversar sobre isso na hora que o pau já está duro e se esfregando ou prestes a penetrar na vagina. Uma vez que está claro que há a possibilidade de rolar sexo, seja clara sobre quais são as formas que você faz contracepção, e que não inclui a pílula anticoncepcional. Ofereça a camisinha inclusive!

Se quiser saber como posso te ajudar com o desafio de parar de usar o anticoncepcional, saiba mais sobre o meu programa Contracepção Consciente.

Publicado em: Catraca Livre / Superela

Outro Post

Aqui temos 2 comentários. Adicionar.

  1. Mariana

    Tenho muito medo de engravidar. Estou pensando em começar a usar injeção. Vocês tem alguma informação sobre o Cyclofemina? Queria saber se ele melhora a pele também. Tentei achar na bula que encontrei nesse site http://cyclofemina.com.br/ mas quero mais detalhes…

    • Melissa Setubal

      Olá Mariana, como não sou profissional médica, não posso fazer recomendações sobre medicamentos.
      Mas caso tenha interesse, em saber sobre formas naturais para melhorar sua pele sem uso de anticoncepcionais com hormônios artificiais, posso muito te apoiar.
      Aqui alguns conteúdos que podem te ajudar:
      http://www.melissasetubal.com.br/?s=acne
      Saúde e Amor <3

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba novidades sobre meus conteúdos, cursos e serviços