Porque não paro de pensar em sexo

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Situação 1: Outro dia saí com um amigo para dançar numa balada gay. Sem medo de ser feliz, dancei e mexi meu corpo livremente, e de forma sensual. Em uma outra oportunidade, ele me levou para dançar em um lugar onde havia homens héteros, e percebi que dancei de forma mais contida, e quase olhando para o chão a maior parte do tempo.

Situação 2: Dois homens compartilharam comigo sobre questões que, a minha vida inteira, vi mulheres à minha volta sofrendo. Um me disse que, muitas vezes, se sente criticado porque prefere esperar para transar com as pessoas com quem se relaciona, e algumas vezes já foi desrespeitado na sua escolha. O outro me confessou que desde adolescente até hoje sofreu abusos e assédios por mulheres, e volta e meia se sente usado e agredido.

Fiquei pensando em todas nós e na nossa capacidade de expressar nossa sensualidade e sexualidade. No quanto temos medo de que elas possam ser usada contra nós, e acabamos por não expressá-la plenamente, ou de forma nenhuma, ou até de usá-la de forma agressiva ou superficial. Muitas vezes usamos o sexo para não sermos rejeitados, e acabamos por sofrer. Outras contemos o sexo pelo mesmo motivo, e também sofremos da mesma forma.

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Vejo muitas clientes que reclamam de libido baixa sem nenhum problema físico diagnosticado, e percebo que a peça que falta encaixar neste quebra-cabeças é exatamente que os exames não procuram na parte mais importante da expressão de nossa sexualidade: nossa mente. Antes de mais nada, nossa sexualidade não começa quando temos outra pessoa conosco. Começa na nossa relação com nosso próprio corpo, e na compreensão das ferramentas que ele tem com capacidade de nos proporcionar prazer.

Algo muito além dos órgãos genitais, tudo se inicia em como nossa mente foi programada para lidar com sensações corporais e curiosidades naturais. Então eu pergunto: Se consegui expressar plenamente minha sensualidade com meu corpo na balada gay, mas não na hétero, quais os medos e as crenças que estavam por trás dessas diferenças de comportamento? Será que tive receio de ser taxada como oferecida e de ser assediada na última, mas no instante em que “não existe a ameaça de um cara chegar em mim” eu perco o meu receio de ser julgada e agredida (mesmo que só com as palavras de uma cantada)?

Outra questão é: se também os homens passam por questões, preconceitos e violências parecidos com o que nós mulheres sofremos em relação à sexualidade, será que não estou justamente fazendo julgamentos e tirando conclusões precipitadas sobre os caras com quem interajo? Quantas vezes me peguei apontando para uma mulher sensual e a chamei de vadia, e para um homem que achei interessante, mas que não demonstrou interesse em me levar para a cama, e chamei de frouxo.

A conclusão que chego é que, se eu não conheço, respeito e expresso minha sensualidade e sexualidade com consciência e contentamento, acabo por transferir e espelhar estas frustrações e limitações para as pessoas com quem me relaciono.

E convido você para aprofundar esta reflexão dançando. De que forma você dança e move seu corpo quando ninguém está olhando? Talvez você seja uma pessoa que não consegue dançar nem quando está sozinha. Ou como eu, que muda de acordo com o ambiente. Ou que não importa onde e com quem esteja, pula, rebola e requebra. Qual o julgamento que faço de mim mesma quando uso meu corpo para me expressar? Talvez a resposta resida justamente no julgamento que fazemos da forma como os outros usam seus corpos para se expressarem.

E é quando abrimos mão destes julgamentos que nos libertamos para nos expressarmos com dança, com sexo, e com tudo o mais que nosso corpo nos permite experimentar. E desta forma podemos curar não apenas nossas emoções, mas também as doenças que se manifestam como consequências destas travas emocionais, como a falta de libido, ausência de menstruação, cólicas e outros problemas menstruais, corrimento, enxaqueca, miomas e cistos, e outros mais.

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