Qual tipo de alimento é melhor para a saúde?

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Veja diferenças entre orgânicos, hidropônicos, convencionais e naturais

Hoje em dia, nós consumidores temos muitas opções à disposição para nos alimentarmos. No entanto, é comum ficarmos confusos na hora de fazer a melhor escolha, com tanta informação desconectada sobre o que faz bem, e tanto marketing nos dizendo o que devemos ou não comer. Confira algumas das principais diferenças entre os alimentos produzidos pelo sistema da agricultura convencional, orgânica e hidropônica, além de aprender também o que é considerado um alimento natural.

 Alimentos convencionais possuem agrotóxicos

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Esses são os mais disponíveis no mercado atualmente, tanto os alimentos in natura, como as frutas e verduras frescas, até os processados e industrializados. Na agricultura convencional são usados adubos químicos, pesticidas e conservantes (inclusive nos alimentos in natura vendidos em feiras e supermercados). Nos alimentos convencionais utiliza-se amplamente a técnica de monocultura e de modificação genética das plantas.

Segundo o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), desde 2008 o Brasil tornou-se o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Essa cifra continua subindo e inclui extensivamente a utilização de produtos proibidos em outros países.

Entre as culturas com a maior concentração de agrotóxicos estão a soja, o milho, a cana, o algodão e as frutas cítricas, que juntos usam 87% do total desse produto nocivo. Para as hortaliças, há utilização concentrada de ingredientes ativos por área plantada, que varia de 4 a 8 litros por hectare. Outros alimentos que também estão na lista dos mais contaminados por agrotóxicos, segundo a Anvisa, são: pimentão, uva, pepino, morango, couve, abacaxi, mamão, alface, tomate e beterraba.

Inúmeros estudos científicos comprovam as consequências do consumo e da exposição da água e solo aos agrotóxicos, na saúde e no meio ambiente. Esses produtos podem dar origem a alergias e asma, passando por infertilidade, distúrbio de atenção e comprometimento da capacidade cognitiva, até câncer e doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, como confirmado pela pesquisa da universidade inglesa Aberdeen University Medical School.

Vale lembrar que não há maneiras de eliminar os resíduos de agrotóxicos nos alimentos convencionais, pois eles estão presentes em todas as partes dos alimentos, incluindo suas sementes.

 Alimentos Orgânicos possuem mais nutrientes

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Para um alimento ser considerado orgânico ele deve ser produzido seguindo as normas específicas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. Algumas das regras incluem: não utilizar adubos químicos, agrotóxicos, sementes transgênicas ou radiação ionizante. Além disso, seus processos de produção, processamento e elaboração devem ter como premissa básica a preservação e a revitalização do meio ambiente, como também o respeito às questões sociais. Os orgânicos também podem ser chamados de agricultura natural, biodinâmica ou agroecologia. No caso da produção animal, não pode usar medicamentos alopáticos e os animais são criados livremente, sem confinamento. Cumpridas todas as exigências, o produto pode receber o selo do SisOrg (Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica).

Segundo a Dra. Elaine de Azevedo, pós-doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP), a qualidade do solo é o principal diferencial desse tipo de alimento. Há diversas pesquisas realizadas com alguns alimentos vegetais que comprovam a maior concentração de minerais e fitonutrientes nos orgânicos. Outro ponto importante é a ausência de toxicidade, bem como durabilidade, sabor, cor e textura. Ela ressalta que o importante não é nem o maior valor nutricional, mas sim o melhor valor nutricional.

Essas informações foram confirmadas em diversos estudos, como o da Washington State University, que fez comparações de morangos cultivados de forma convencional e orgânica. A pesquisa confirmou que os orgânicos eram mais nutritivos e saborosos, além de promover um solo mais saudável.

Segundo Luciano Gambarini, produtor e fornecedor de alimentos orgânicos da Feira de Orgânicos do Parque da Água Branca, em São Paulo, o selo nacional de produto orgânico é a maior garantia de que a pessoa está comprando um produto certificado. “No meu ponto de vista, é evidente que os melhores produtos são os orgânicos. A alimentação mais crudívora (alimentos in natura crus) é fundamental para nos trazer todos os benefícios nutricionais e energéticos das plantas.      Mas os processados orgânicos também possuem seu espaço na rotina das famílias. Ainda sou um grande defensor das feiras onde o consumidor tem um contato direto com o produtor”, defende Luciano.

Vale lembrar que o selo orgânico nos alimentos processados não é garantia de alimento saudável, pois esse tipo de comida passou por uma série de processamentos que podem ter retirado nutrientes, e incluído aditivos como açúcar, adoçantes artificiais e outros.

Alimentos Hidropônicos são cultivados com adubos químicos poluentes

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Essas plantas são cultivadas em água e alimentadas por adubos químicos solúveis em água, que contêm no máximo 10 nutrientes, como nitrogênio, fósforo e potássio. A jornalista especializada em agricultura e entusiasta da produção orgânica sustentável, Tânia Rabello, chama atenção para um erro comum quando se trata de hidropônicos: “É importante frisar que produtos hidropônicos não têm absolutamente nada a ver com orgânicos. São, aliás, diametralmente opostos, embora confundam muitas pessoas. Produtos hidropônicos não são cultivados no solo e usam adubos químicos altamente poluentes”, esclarece Rabello.

Ela completa destacando que a base da adubação de uma planta orgânica – diferente dos alimentos hidropônicos – é feita a partir de fontes naturais, orgânicas e não sintéticas, como restos de vegetação e estercos. Esse processo oferece às plantas, no mínimo, mais de 45 nutrientes. “Daí a riqueza do solo manejado organicamente. Riqueza que é transferida para a planta que dele se alimenta e, por consequência, para o ser humano”, conclui Tânia.

O produtor e fornecedor de alimentos orgânicos, Luciano Gambarini, reforça o coro: “Não acredito que o hidropônico seja um alimento equilibrado, pois não possui todos os nutrientes que a planta poderia absorver através do cultivo em um solo orgânico, por exemplo”.

Alimentos Naturais

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A definição de alimento natural é ampla, e existem muitas discussões sobre o uso desse termo pela indústria alimentícia, uma vez que não há nenhuma definição legal ou legislação a respeito. Na opinião do produtor e fornecedor de alimentos orgânicos, Luciano Gambarini, o termo ficou banalizado e leva a uma má interpretação ou induz ao consumo deste tipo de alimento. E é importante frisar que, inclusive, natural não significa orgânico.

Para a marca de alimentos integrais e orgânicos, Mãe Terra, alimento natural é “aquele minimamente processado, mais próximo de sua origem, isento de aditivos químicos intencionais (corantes artificiais, conservantes, espessantes, aromatizantes, entre outros). Desta forma, a alimentação natural integral é baseada em alimentos mais próximos de sua natureza, que preservam o equilíbrio original dos nutrientes e das substâncias bioativas”.

Também é importante reforçar que os alimentos naturais integrais não contêm “fortificantes”, usados principalmente para adicionar vitaminas e/ou minerais ao alimento. Estudos mostram que esses aditivos não necessariamente são absorvidos pelo organismo, por serem artificiais, e até podem impedir a absorção dos nutrientes de fontes naturais.

A culinarista Pat Feldman, do blog “Crianças na Cozinha”, vai além e afirma: “frutas, verduras, legumes, carnes, ovos e outras comidas de verdade são muito mais do que vitaminas e/ou minerais. Comida de verdade contém enzimas, lactobacilos, e diversas vitaminas que se complementam, se suplementam e se catalizam. Então, mesmo que essas substâncias estejam presentes em pequenas quantidades nos alimentos, elas são muito bem aproveitadas. Já o processamento de alimentos oxida gorduras, elimina enzimas e destrói vitaminas. Sendo assim, faça pratos coloridos, coma comida orgânica sempre que possível, consuma uma boa parcela de alimentos crus, coma em casa sempre que possível, num ambiente tranquilo e agradável, pratique as boas maneiras e seja feliz”.

Para continuar refletindo sobre o tema

Livro “Alimentos Orgânicos: ampliando os conceitos de saúde humana, ambiental e social” (Ed. Senac São Paulo), de Elaine de Azevedo.

Publicado em: PersonarePersonare em PortugalMdeMulherClube Vida ModernaPortal RBSMSN.

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