Ciclo Menstrual

Ser sensível demais não é defeito

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Como lidar com uma pessoa altamente sensível (até quando é você mesma)

Choro à toa. Me canso fácil. Minhas emoções são à flor da pele. Preciso de tempo para ficar sozinha. Qualquer aumento na intensidade das minhas atividades eu já fico que nem barata tonta. Multidões me incomodam. Tendo a ser mais introspectiva. Entre outras características, sou assim desde que me entendo por gente. E desde então ouço que deve ter alguma coisa de errado comigo porque sou desse jeito: muito sensível. Alguém mais aí se identifica com isso? Ou conhece alguém assim?

Me acusam de fraca, manteiga derretida, histérica, dramática, antissocial, preguiçosa, porque não funciono como o mundo pede para funcionarmos. Uma sociedade que premia quem é extrovertido, acelerado, frio e calculista, e capaz de lidar com muitos estímulos ao mesmo tempo sem demonstrar sinais de desgaste.

Eu tentei ser tudo isso. Eu juro. Durante meus 10 anos no mundo corporativo, toda manhã me vestia da personagem da mulher superpoderosa, da mocinha sociável sempre com um sorriso no rosto, da pessoa incansável. Claro que nem sempre dava certo, mas eu comecei a achar que eu era mesmo essa pessoa, e comecei uma prática nada saudável: a de me desensibilizar.

Quando ser sensível é um defeito de fábrica, vamos tentando fazer gambiarras para fazer de conta que não somos, e nos adequarmos ao jeitão de ser que exigem da gente. Eu sabia que esse disfarce tinha prazo de validade, até porque corpo e mente davam sinais de desgastes. Como numa casa, as rachaduras, vazamentos, coisas que quebram e dão defeito, chega uma hora que de tanto insistir em ignorar os problemas que se acumulam, que tudo desmorona.

Daí que eu entendi que continuar agindo diferente de como eu me sentia por dentro, negando meus sentimentos, desmoralizando minha sensibilidade, julgando minhas características, era um dos crimes mais hediondos que eu poderia cometer comigo mesma. Não havia melhor escolha do que acabar com o indisfarçável: sou uma pessoa hipersensível.

Chorar nem sempre é sinal de fraqueza ou de uma pessoa descontrolada emocionalmente.

Chorar muito nem sempre é sinal de fraqueza ou de uma pessoa descontrolada emocionalmente.

O termo Pessoa Altamente Sensível (PAS) foi cunhado pela Dra. Elaine N. Aron, e define alguém que processa os dados sensoriais excepcionalmente profunda e completamente devido a uma diferença biológica no seu sistema nervoso. Para as PASs, a informação sensorial regular é processada e analisada em um nível profundo, o que contribui para a criatividade, a intuição, e atenção aos detalhes.

A desvantagem é a tendência para tornar-se superestimulada muito rapidamente.

Somos cerca de 20% da população, e mesmo assim, ainda somos taxados como pessoas fora do padrão. Talvez porque percebemos mais as sutilezas das coisas que passam batido pelo restante das pessoas, ainda mais nessa vida corrida e agitada que vivemos hoje em dia. E como elas não tomam consciência dessas sutileza, ficamos parecendo meio estranhos para elas.

Há algumas características mais comuns nesse tipo de pessoa, como as que descrevi no início desse texto. Mas elas não são regras. O que penso ser mais importante sobre isso, para começo de conversa, são duas coisas:

  1. Se você se identifica como uma pessoa altamente sensível (você pode fazer o teste aqui), isso não é um diagnóstico de uma condição de saúde. Isso simplesmente significa uma característica, que você pode usar a seu favor na sua vida. Ignorar ou desrespeitar essa característica pode te trazer muitos sintomas físicos e de humor incômodos que podem atrapalhar bastante a sua vida. Ou você pode aprender a respeitar e a usá-la de forma estratégica. Eu, inclusive, mudei de carreira por isso. Hoje, meu trabalho respeita e me premia por ser muito sensível. Quanto mais eu acolho e desenvolvo minha sensibilidade, mais tranquila, interessante e divertida minha vida vai ficando. Tudo foi melhorando: meu trabalho, meus relacionamentos, minha saúde física e mental, minha conexão comigo mesma.
  2. Se você identifica uma pessoa da sua vida como altamente sensível, você pode deixar a sua vida mais fácil e ainda apoiar essa pessoa a ter uma vida mais plena compreendendo melhor como elas funcionam. Minha mãe é ainda mais sensível do que eu. E isso causava muito atrito entre nós. Hoje, nosso relacionamento é fantástico. Foram muitas coisas que permearam essa transformação. A principal foi eu aprender respeitar o tempo e o humor dela. Por exemplo, não adianta eu tentar forçar ela tomar uma decisão na hora que eu apresento uma questão pra ela. Muito menos oferecer muitas opções de soluções. Como uma pessoa altamente sensível, isso deixa ela maluquinha, pois a cabeça dela vai em mil direções diferentes, e ela começa a ficar ansiosa, o que a deixa irritada, o que faz ela me dar uma patada, o que me faz ficar irritada, e aí já viu, né? Como agora eu entendo que é assim que ela funciona, eu aprendi a esperar o tempo dela para ela refletir sobre a melhor solução pra ela, ou eu já ofereço uma ou duas soluções que parecem mais adequadas ao jeito dela de ser. Eu sei, isso exige empatia e disposição. Mas veja quanto estresse e drama eu economizo, e quanto amor e sorrisos eu ganho nessa história. Vale muito a pena esse investimento!

 

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Aqui temos 41 comentários. Adicionar.

  1. Diana

    Eu sou mega sensível. Marquei 24 afirmativas. Eu também durante 8 anos tentei anular minha sensibilidade quando trabalhava no hospital. As consequências foram uma crise de ansiedade e pânico muito fortes. Hoje tomo ansiolítico e estou tentando aprender a lidar com a sensibilidade. Semana passada mesmo estava pensando em como lidar com tanta sensibilidade. Como tornar essa sensibilidade minha amiga e usá-la a meu favor. Isso principalmente na minha escolha profissional de agora, que estou terminando a faculdade de direito, minha segunda graduação e não quero cometer o mesmo erro de antes. Obrigada Melissa, seus posts sempre caem como uma luva.

    • Melissa Setubal

      Fico muito feliz que este artigo tenha te ajudado de alguma forma. Somos PASs e estamos juntas nessa jornada! Conte comigo para te apoiar nessa sua transição de vida e para resgatar seu poder próprio da sua mente 😉

  2. Márcia

    Melissa querida!
    Acho que essa é a “resposta” pq me identifiquei com vc desde o primeiro artigo “Minha vida sem leite”, e entendo perfeitamente seu trabalho, seus posts, os incríveis workshops e as receitas deliciosas. Faço parte tbm dessa turma dos 20%.
    Muito bom saber que temos companhia de outros Altamente Sensíveis neste mundo para nos juntar…ahahaha
    Beijo afetuoso,
    Márcia
    p.s.: acho que tem niver chegando né….

    • Melissa Setubal

      Exatamente Márcia, identificação imediata, principalmente quando a gente se conheceu pessoalmente 🙂 E você tá falando do meu niver? Foi dia 23. Já tenho 36 oficialmente agora 🙂 Beijocas!

  3. Mariah Feital

    Olá Melissa, tudo bem?
    Eu marquei todas as alternativas então provavelmente devo ser uma PAS, o que esclarece muitas coisas na minha vida. mas você sabe me dizer se, sendo essa uma condição biológica, se é genética?

    Grata.

    Att,
    Mariah Feital.

    • Melissa Setubal

      Mariah, pelo que estudei tem conexão genética e influência do ambiente (a forma como somos criados, a cultura que estamos inseridas, etc etc). Ou seja, não há apenas uma coisa que liga essa característica em nós. Que bom que o artigo e o teste puderam te ajudar a se conhecer mais.
      Saúde e Amor!

  4. Jacqueline

    Eu consegui me encontrar em todas as descrições!é tudo o q eu sempre fui desde criança,emoção,empatia forte,conforto na solidão! Tentei ser diferente,durante anos mascarar essa sensibilidade,o resultado foi ir parar no hospital com uma lesão por stress,remédios pra me controlar Pq só conseguia chorar o tempo todo! Hoje venho trabalhando meu lado espiritual,tem me ajudado a recobrar a minha paz,tento evoluir cada vez mais,tento compreender o q acontece comigo e o q posso fazer pra ser um ser humano melhor !

    • Melissa Setubal

      Puxa, Jacqueline, muito obrigada por compartilhar sua experiência. E realmente trabalhar mais a espiritualidade ajuda demais a gente a se aceitar mais do jeito que somos 🙂

  5. Edílson Ribeiro

    Eu fiquei tocado com todos esses depoimentos, cheguei a dizer; “NÃO ESTOU SOZINHO”! kkk. o que me fez refletir um pouco, foi o fato da Melissa dizer, que todo este sentimento seria “um defeito de fabrica”, na verdade, até recentemente eu pensava, que eu teria desenvolvido este “turbilhão de sentimento”, no decorrer da minha vida, mais especificamente em minha formação ou adolescência. Porém eu sempre tive comigo, e fiz um retrospecto, de que em minha infância eu já era muito sentimental. Ou seja, eu já vim ao mundo com este “montão de sentimento”, tanto que em minha família, talvez eu seja um dos poucos, ou talvez o único á ser assim.

    • Melissa Setubal

      Uau! Que lindo esse seu depoimento! Muito obrigada por compartilhar. Também fez me sentir que não estou sozinha 🙂
      Saúde e Amor!

  6. Edílson Ribeiro

    É muito bom trocar ideias com pessoas assim como eu, e que divide os mesmo sentimentos. Quantas vezes fui questionado e incompreendido por me ofender facilmente, ou por leva serio uma”simples brincadeira”, mais hoje, como disse um dos comentários acima, tenho buscado inverter a situação ao meu favor, usar estes recursos, para o meus próprios benefícios. Eu fico até sem jeito, porque nos comentários aqui só aparece eu de homem. kkk Mas desde já uma forte abraço a todas. by by

    • Melissa Setubal

      Bom é ver um homem por aqui com coragem para expressar seus sentimentos em um website dedicado às mulheres. Maravilhoso isso! Mais uma vez obrigada!

  7. SHIRLEI ALEXANDRA DA CUNHA

    Melissa, que legal dividir conosco essas suas reflexões.
    PAS, não estamos sós!
    E o mais importante vamos aprender a lidar com essa nossa característica a nosso favor.

    • Melissa Setubal

      Exatamente Shirley! Estamos aprendendo juntas!
      Saúde e Amor!

  8. Agatha

    Olá! Estava atrás de um teste de sensibilidade e encontrei o seu site.
    Ao fazer o teste, vi que me encaixava em todas as questões, sou extremamente sensível, mas extrovertida.
    Eu nem se quer sabia que essa condição tinha um nome, e que tantas pessoas também eram assim.
    Infelizmente, convivo com pessoas que são meio sensíveis à quase nada sensíveis. Sou sempre a Maria mole, a chorona, etc. Processo tudo de uma forma muito profunda e poucas, pra não dizer raras pessoas conseguem me aceitar dessa forma sem querer me mudar.
    Eu sempre pedi a Deus que eu fosse menos sensível, mas lá no fundo, eu realmente gosto de ser da maneira que sou.
    O que torna difícil é a convivência, pois até os meus pais encaram minha sensibilidade aflorada demais, que eu deveria ser mais firme.
    Mas só de saber que não sou a única assim, já renova as minhas energias.
    Parabéns pelo texto e pela ajuda!
    Beijos.

    • Melissa Setubal

      Agatha, adorei que você compartilhou a sua história conosco. Quantas de nós vivemos esses desafios pela vida. É possível sim ser extrovertida e hipersensível ao mesmo tempo. Eu sou dessas que adora estar cercada de gente, e ao mesmo tempo preciso do meu tempo sozinha para recarregar as energia hehehehehe
      Obrigada pelo carinho.
      Saúde e Amor!

  9. Helen Saez

    Eu sou fora do padrão: corporal, mental, espiritual e emocional! Mas, eu adoro minha sensibilidade! Adoro chorar e colocar tudo para fora, quando mais nova achava ruim. Hoje, não acho mais..aprendi que com a maturidade o emocional se equilibra e sabemos lidar melhor com a gente. O autoconhecimento me fez encontrar pessoas, e a mim mesma que me fizeram se sentir bem. Eu me identifiquei muito com seu artigo. Não pude fazer o teste porque o blog está fechado a pessoas não convidadas. 🙁
    Hoje irei conversar com você sobre meu corpo e isso está me deixando ansiosamente feliz kk
    Porque sei que posso ter mais experiências sobre mim mesma. E me ajudar no emagrecimento que comecei! Beijos e até mais tarde.

    • Melissa Setubal

      Olá Helen,
      muito agradecida por compartilhar sua história. Mudei o link do teste no artigo, pode voltar lá para fazer 😉
      Saúde e Amor <3

  10. Guilherme

    Olá,
    também sou muito sensível. Quando vejo alguém ser alvo de uma brincadeira, me ponho sempre no lugar dessa pessoa. Isso leva a que a maior parte das vezes abomine as piadas e acabe por não me rir também, o que é confundido com falta de sentido de humor. Mas há pessoas que não pensam nos sentimentos dos outros senão na sua própria risada e na sua própria diversão e, pensam que humor é simplesmente rir do outro. Eu não gosto de me rir das outras pessoas, porque também não gosto que se riam de mim, é uma questão de senso de justiça que as pessoas não têm.
    Vivemos num mundo robotizado em que a sensibilidade é desprezada, pois ela é vista como uma fraqueza, e, a total ausência dela, leva também à supressão do feminino e à supressão de emoções genuínas e ao surgimento de emoções materialistas e plásticas.
    Por exemplo, neste momento, se dá demasiado valor à beleza física nas relações, é por isso que há relações amorosas, que duram menos do que a bateria do meu celular.

    • Melissa Setubal

      Entendo muito tudo isso que você compartilhou, Guilherme. Muito agradecida por compartilhar sua experiência conosco. Vamos também enxergar que cada dia mais, nós os sensíveis, estamos “saindo do armário” e encontrando mais gente parecida e vivendo nossa vida menos nesse padrão extrovertido e até opressivo das emoções. Cada dia mais vamos aprendendo a usar essa sensibilidade a nosso favor e a favor do mundo 🙂

  11. Tatiana

    Olá, gostaria de fazer o teste porém não consigo entrar…

    • Melissa Setubal

      Oi Tatiana, o link que eu havia disponibilizado parou de funcionar mesmo. Já substituí. Pode voltar lá par acessar o teste 😉

  12. eu sou muito sensivel ,choro por tudo es minha colegas ficam com raiva de min pq choro por qualquer coisa e isso é muito ruim!!!

    • Melissa Setubal

      Gabriela, as pessoas que não se permitem mostrar as próprias emoções (normalmente foram muito repreendidas ao fazer isso na infância) tendem a ter essa reação porque não sabem lidar com alguém que chore abertamente. De certa forma, chorar na frente das pessoas é uma coisa ótima, mesmo que a reação não pareça das melhores, porque assim a gente pode oferecer a permissão para essa pessoa se expressar. Para muitas pessoas, expressar raiva é a forma de “chorar” porque esse é o único sentimento “negativo” que ela foi autorizada a mostrar perante os outros.
      Faz sentido para você isso que eu falei?

  13. Luciana

    Olá, faz tempo que tento mudar o que sinto. Não consegui fazer o teste, porém, nem preciso porque faz tempo que sei que a minha sensibilidade e demais. Sofro com ansiedade generalizada a alguns meses, eh terrível! Se possível, gostaria do seu email para mais informações!! Obrigada.

    • Melissa Setubal

      Olá Luciana, como vai você?
      Eu entendo muito bem o que tem passado. Sinto muito por estar sofrendo assim.
      Tenho algumas orientações que compartilhei sobre gerenciar a ansiedade que talvez te ajudem
      http://www.melissasetubal.com.br/?s=ansiedade
      Saúde e Amor <3

  14. Tatiana

    Identifico-me muito. E não gosto. O custo é muito alto para estar entre as pessoas.. coisas que muitos nem se ligam, para você machuca de verdade. Hoje trabalho tento trabalhar a aceitação a fim de e proteger mais, mas me sinto refém desse modo de ser …

    • Melissa Setubal

      Como te entendo Tatiana. Por isso invisto sempre em terapias de diversos tipos, tanto para me ajudar a lidar com as pessoas que não entendem como nós sensíveis funcionamos, quanto para eu não me sentir refém das minhas emoções. Sugiro você investir em métodos não convencionais, tanto de suporte psicológico com metodologias inovadoras, quanto terapias holísticas mais gentis de reprogramação mental.
      Saúde e Amor <3

  15. Eric Patrício Luppy

    O sofrimento interior pode ser um chamado. Se você o entender, pode um dia agradecer por ter sofrido por um tempo, usando sua energia e seu complicado modo de acesso para uma condição mental privilegiada, que respeita a extrema sensibilidade e reconhece seus potenciais.

    • Melissa Setubal

      🙂

  16. Ericson

    Ola melissa gostei muito de seu texto. Sou muito sensível, eu sou corretor e sofro muito neste ramo, qualquer coisa que alguém fale para mim e o meu cérebro analisar como ofensa eu começo a chorar. Como por exemplo hoje estava num plantão no trabalho e veio uma mulher dizendo para eu sair do local onde eu estava, pois aquela mesa era só dela. Isso foi um estopim para estragar meu dia. Ser super sensível é muito difícil e já me atrapalhou muitas vezes ao longo de minha vida. Porém acredito que isso seja natural, algo que eu tento levar como aprendizado. Obrogado

  17. Faby

    Sou extremamente sensível, e intensa… Os Sentimentos em mim parecem ser multiplicados sempre… Mas estou aprendendo a lidar com isso, mas acredito que a melhor forma é a aceitação de nós mesmo!

  18. Luís

    Olá, muito obrigado pela matéria, me ajudou bastante a entender melhor o que acontece comigo. Estou nessa caminhada de aprender a lidar com isso há anos. Por favor, gostaria de saber se há alguma sugestão de profissões/atividades (que requerem diploma ou não) que possam ajudar e se encaixam melhor para quem possui essa característica de personalidade hipersensível?

    • Melissa Setubal

      Olá Luís, olha, não sou profissional capacitada para te dar conselhos vocacionais. Mas pelos estudos pessoais que fiz por eu mesmo ser uma pessoa hipersensível, trabalhos com terapias, artes, educação, até que foquem em crianças/jovens/idosos, costumam se beneficiar muito da nossa sensibilidade.

  19. Vitória

    Tenho 17 anos, tinha uma amiga de longa data que parecia me entende e sempre teve cuidado comigo, pois eu me machuco fácil com as palavras, mas essa amiga no fim me traiu, e eu acabei que me enturmando com outras pessoas, ficando mais próxima. O problema é que essas amigas, uma em questão, sempre me machuca com as palavras e não me entende, e minhas outras amigas riem, e dizem que eu não faço nada para ela parar. Ou seja, a culpa é minha. Mas não quero perder minhas amizades e ficar sozinha. O que eu faço? Tento entender ela pq ela também se machuca com as palavras das pessoas, mas ela parece não se importa como eu vou me sentir.

    • Melissa Setubal

      Vitória,
      Essa é realmente uma questão que costuma nos incomodar bastante não é mesmo? Queremos nos encaixar e fazer parte, e ao mesmo tempo, temos comportamentos que podem fazer as pessoas se afastarem da gente. Qual seria o meio termo, entre ter amigas e ao mesmo tempo respeitar nossos limites e nosso jeito único de ser?
      Não há uma resposta para isso. São experimentos mesmo. A vida é uma sucessão de experimentos que vão nos levando para mais perto de expressar quem realmente somos em nosso essência. E quando somos mais sensíveis então, é experimentar o que faz sentido para nossa alma, e não necessariamente o que faz sentido para a sociedade ou para apenas poder se encaixar em um grupinho.
      Uma coisa que vem me ajudado muito ao longo da minha vida é cultivar a prática de ficar bem comigo mesma sozinha, aprender a me divertir sozinha, a conviver com o tédio sozinha, a ficar ok em ficar triste sozinha, e por aí vai.
      Ao invés de isso fazer a gente ficar mais sozinha, faz o efeito oposto muitas vezes, porque ao ficarmos cada vez mais confortáveis com a gente mesma, as pessoas vão ficamos mais confortáveis quando estão convivendo com a gente…
      É um processo, são descobertas para serem feitas ao longo da vida inteira.
      Saiba que você não está sozinha. E que talvez encontra a melhor companheira em si mesma.
      Saúde e Amor <3

  20. Elaine

    Melissa. Será que fui eu que entrei na sua cabeça e fiz voce escrevi tudo isso? 🤔🙄 Obrigada. Seu site é fantástico, parabéns.

    • Melissa Setubal

      Elaine, é sempre reconfortante saber que não somos as únicas pessoas que sentem dessa forma, não é?
      Que bom que nos encontramos <3

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