Ciclo Menstrual

Um corpo perfeito para o verão: o seu

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O segredo para aproveitar a estação mais quente do ano está em preparar sua mente sobre a imagem que tem de si mesma

Está dada a largada para a corrida insana rumo a conquistar o corpo perfeito para o verão. Gente batalhando para ficar gostosa para o biquini, gastando o dinheiro suado numa academia, e depois outra pequena fortuna em dois pequeninos pedaços de pano. As conversas giram em torno da última dieta da moda ou procedimento estético para conseguir perder aquelas gordurinhas, não importando o IMC ou o saldo bancário da pessoa em questão. As depiladoras e esteticistas fazem festa com o aumento da temperatura e a consequente diminuição do comprimento das roupas, porque “tem sofrer para ficar bonita”.

Eu nunca tive corpo perfeito para o verão, apesar de sempre ter morando a poucas quadras da praia até algum tempo atrás. Nunca fui a gostosa e nem tive o biquini da moda. Não vejo propósito em estragar o prazer de curtir o tempo de lazer com conversas sobre privação e pensamentos de culpa sobre o que comeu. E sinceramente acredito que ninguém nessa face dessa Terra precisa sofrer para ficar bonita.

Penso que esse culto do corpo perfeito para o verão é de uma crueldade tamanha, pois mexe com nosso senso de valor próprio até nos momentos de descontração.

Muito provavelmente você já tem que fazer um monte de coisas obrigatórias durante o ano inteiro, e mal pode esperar as férias ou o final de semana para relaxar, ficar de boa, sem se preocupar com nada, certo? Aí vem a sociedade querendo meter o bedelho até no seu momento de descanso, dizendo que você não pode curtir a praia ou a piscina em paz, porque tem que, no mínimo, ter o peito e a bunda de certo tamanho, uma barriga tanquinho para ficar entre dois paninhos da marca “tal”, a pele lisinha sem nenhum vestígio de pelos, celulites ou estrias.

Acrescente a isso o fato de que somos incentivadas a falar sem piedade sobre a gordinha “que devia ter vergonha de sair de casa num biquini”, sobre a branquela que “parece um fantasminha e bem podia ter feito um bronzeamento artificial”, a não-depilada que “parece um lobisomem e vai assustar as criancinhas”. Muitas vezes ouvimos esse tipo de barbaridade de nós mesmas na frente do espelho…

Vim hoje fazer um convite diferente para você: que tal se, ao invés de ficar preocupada em preparar seu corpo para o verão, você usasse seu tempo e atenção para preparar sua mente para que, com o corpo que você já possui, você possa usufruir ao máximo desse dessa época tão festiva?

Como ter um corpo para a praia:  1) tenha uma corpo; 2) Vá para a praia

Como ter um corpo para a praia:
1) tenha uma corpo;
2) vá para a praia

 

Comparação é o maior ato de injustiça contra si mesma e contra o outro.

Quando comparamos, julgamos que um seja melhor que o outro. Esse tipo de julgamento é baseado em uma regra criada aleatoriamente naquele determinado local geográfico e em época específica da história da humanidade. Ou seja, é completamente aleatória e inventada. Alguém que é inadequada por ser considerada gorda hoje, pode ter sido a epítome da beleza ontem, alguém considerada o exemplo de beleza hoje pode ser rejeitada amanhã. Sendo assim, você está fazendo um juízo de valor de uma pessoa (você mesma ou outra pessoa) baseado em algo que pode mudar a qualquer momento. E que pode mudar no exato instante que você percebeu que fez esse julgamento. Use sua mente racional para analisar com a lógica a irracionalidade dessa comparação sobre o que é almejado esteticamente, e desapegue dessa classificação que você aprendeu dos outros, e enxergue a si mesma/a pessoa com os olhos da alma.

Preocupação com a aparência é apenas uma das expressões do medo de rejeição.

A maioria de nós foi criada para acreditar que nosso valor como pessoa está (também ou principalmente) na nossa aparência, e que se não somos bonitas/atraentes/bem apessoadas o suficiente, nunca teremos a aceitação e o amor das pessoas. Como qualquer medo que nosso ego cria, muitas vezes acabamos por cair na armadilha do querer consertar/ter/conseguir “só mais essa coisinha”, e aí sim ser feliz. E ao invés de acalmar o medo, vamos alimentando esse monstrinho da insegurança e aumentando seu apetite insaciável por menos quilos, centímetros, pelos, celulite, e mais peito, bunda, bronzeado, roupa da moda, etc etc etc. Um círculo vicioso que só acaba quando somos capazes de nos observar prisioneiras dessa roda viva, e escolhemos encarar de frente esse nosso medo de ser rejeitada com muito amor e compaixão. Entendendo que todas nós temos fome de ser amadas e felizes, somente começamos a saciar esse apetite quando deliberadamente passamos a enxergar nosso corpo como essa ferramenta perfeita que temos para aproveitar a vida.

Para aproveitar tudo que o verão pode trazer para você, melhor que tentar desesperadamente mudar seu corpo para caber na ditadura da moda e do machismo, mude seu ponto de vista sobre si mesma, e mude sua mentalidade para usar esse corpo lindo que você já tem para brincar, se divertir, namorar, e amar mais a vida.

Imagens: media.mnn.com/feminaeaustralis.wordpress.com

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