Um trabalho de formiguinha

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Um pozinho branco altamente viciante e que leva as pessoas à loucura. Descrevendo assim, mais parece que estamos falando de alguma droga ilegal pesada, mas estou falando mesmo do elemento mais comum em nossa alimentação nos dias de hoje: o açúcar branco refinado.

É quase impossível escapar desse traiçoeiro ingrediente. Primeiro porque é gostoso mesmo e tem uma forte ligação afetiva com nossa infância, a época das balas, doces e sobremesas. Tem quase que o poder de um abraço de mãe.

Outra razão é porque sua produção hoje em dia é tão fácil e seu preço tão barato, que as indústrias descobriram nele um alto potencial de sabor com o mínimo de esforço, e o acrescentam em tudo mesmo: desde os mais óbvios biscoitos e refrigerantes, passando por todos os tipos de molhos e refeições congeladas, até mesmo em comidas salgadas como embutidos de carnes. Ou seja, se está em uma embalagem, é quase certo que na lista de ingredientes você vá encontrar algum nome que remeta ao açúcar e seus derivados.

Mas é a química interna do nosso organismo que melhor explicar o poder hipnotizador desses cristaizinhos. Nossas células são movidas a glicose, a menor molécula de carboidrato que elas conseguem processar. Dessa forma, nosso cérebro foi programado para ser obcecado por absorver toda e qualquer glicose que for ingerida para garantir seu funcionamento. Então não é de se espantar que quando ingerimos açúcar branco, nosso corpo entra num frenesi, já que, nesta forma, a glicose está quase que imediatamente disponível para as células.

A questão é que, ao se deparar com muita glicose de uma vez, o corpo tem que correr para estocá-la e não deixá-la ser eliminada pela urina. Daí o pâncreas entra em pânico e lança um monte de insulina para dar conta do recado. Não é um processo fácil para o corpo, e um monte de coisas podem ficar no meio do caminho.

Mas o que quero salientar é que, para digerir os alimentos e obter energia, nosso corpo precisa gastar energia. Então, a qualidade dessa energia potencial ingerida é muito importante, pois se ingerirmos algo que traz menos nutrientes do que usa para processá-lo, nós estamos, na verdade, desnutrindo nosso corpo e sobrecarregando-o. E é exatamente o que o açúcar branco refinado faz, pois não tem nenhum nutriente (como vitaminas, minerais, fitonutrientes), nada, nadinha além de calorias.

Para nos inspirar a ir eliminando esse grande culpado das doenças que mais acometem as pessoas hoje em dia, entrevistei a Pérola Boudakian, do blog Pé na Cozinha, que nos conta como foi a experiência dela ao ficar mais de 30 dias sem comer açúcar e nos dá dicas muito boas.

O que levou você, uma blogueira aficcionada por comida, a decidir eliminar o açúcar do dia a dia, mesmo que por um período?
Eu descobri minha paixão por cozinha aos poucos. Sempre tive excelentes cozinheiros e cozinheiras na família e preparar refeições para minha família se tornou uma paixão. Tenho uma natureza bastante inquieta e curiosa e comecei a ler muito e pesquisar sobre alimentação saudável. E nessas pesquisas compreendi o mal que o açúcar faz ao organismo, contudo fui criada numa família doceira e esse sempre foi meu maior vício, meu calcanhar-de-aquiles e além de tudo identifiquei o açúcar com um gatilho para compulsão alimentar. Resolvi parar diversas vezes e sempre caía em tentação. Dessa vez tive uma crise de enxaqueca que durou 5 dias após duas festinhas de crianças e muitos doces. Foi o basta.

O que você acha que essa experiência mudou na sua alimentação daqui pra frente?
Eu acho que o açúcar nunca será o mesmo para mim. É como tratar um vicío, não dá para se permitir apenas 1 golinho ou 1 pedacinho porque irá desencadear o descontrole. Pelo menos no meu caso. Pretendo ficar sem açúcar por bastante tempo. Não me faz falta agora.

Quais foram as maiores dificuldades?
A abstinência é terrível no começo. E eu adoro cozinhar, assar bolos, fazer pães, cookies, cupcakes. A maior dificuldade no início foi conciliar a vontade de preparar algumas receitas com a restrição. E o segundo grande complicador é o açúcar embutido em quase todos os alimentos. Eu já retirei muitos industrializados da minha rotina alimentar, mas é chocante ver que tem açúcar no presunto, peito de peru, no sushi… É muito difícil driblar a indústria alimentícia se não tivermos o hábito de preparar nosso próprio alimento.

Nas receitas, quais foram os principais substitutos para o açúcar?
No início eu usei mel para fazer pães e bolos. Acho que é um ótimo substituto. Depois, um pouco agressivos ainda, mas menos piores que o açúcar refinado eu usaria  rapadura ralada ou melado. Ambos com alguns nutrientes, embora não compensem o desgaste no organismo. Outro adoçante muito bom é a folha de stévia, mas a natural, não o adoçante. Frutas secas e purê de maça, junto com outras frutas doces, são ótimos para preparar bolos e biscoitos.

Uma frase, um conselho ou uma dica para inspirar quem se considera uma formiguinha a tentar esse desafio.
Força de vontade e perseverança. Não é impossível. É trabalhoso. Encare como uma jornada de auto-conhecimento e observe as mudanças no seu corpo, no seu ânimo. Decididamente vale a pena!

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Aqui temos 2 comentários. Adicionar.

  1. Acabei de encontrar este blog, procurando no google por substitutos do açúcar. Gostei desse post e da entrevista. Parei de comer doces no dia 1 de janeiro (estou entrando no sexto mês de “abstinência”) e aos poucos estou procurando receitas de doces que não levam açúcar pra adequar de vez minha dieta. já vi que tem algumas muito boas por aqui 🙂
    Beijos

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